
O socialista democrata Zohran Mamdani, de 34 anos, foi eleito prefeito de Nova York, tornando-se o primeiro muçulmano a ocupar o cargo na história da cidade. A vitória, anunciada na noite de terça-feira (5), representa uma guinada política significativa na metrópole americana, tradicionalmente dominada por democratas moderados. A frase-chave “Zohran Mamdani prefeito de Nova York” define o foco da notícia.
Mamdani, que nasceu em Kampala, Uganda, e se mudou ainda criança para os Estados Unidos, venceu o ex-governador Andrew Cuomo e o republicano Curtis Sliwa em uma disputa marcada por forte polarização. Ele também enfrentou oposição direta do ex-presidente Donald Trump, que criticou duramente sua plataforma de governo durante a campanha.
Uma eleição histórica
Candidato pelo Partido Socialista Democrata dos EUA (DSA), Mamdani obteve uma margem expressiva nas urnas, apoiado por uma coalizão de jovens progressistas, sindicatos e movimentos de minorias étnicas. Sua campanha destacou temas como moradia acessível, transporte público gratuito e combate à desigualdade racial.
“Nova York sempre foi a cidade das possibilidades. Hoje, ela se torna também a cidade da justiça social”, declarou Mamdani em seu discurso de vitória, diante de uma multidão reunida no Queens, bairro que representa sua base eleitoral e um dos mais diversos dos Estados Unidos.
De imigrante a líder da maior cidade americana
Antes de se tornar prefeito, Mamdani atuou como deputado estadual pelo Queens, onde se destacou por propor políticas de inclusão e defender os direitos dos imigrantes. Filho de pai economista e mãe cineasta, ele é formado pela Universidade de Harvard e trabalhou como organizador comunitário e corretor de hipotecas, experiências que moldaram seu discurso voltado para as classes trabalhadoras.
Sua eleição é vista como um marco para a representatividade muçulmana nos EUA, especialmente em um momento em que o país enfrenta tensões religiosas e políticas após novos conflitos internacionais.
Reação nacional e internacional
O presidente Donald Trump, que tenta a reeleição em 2026, afirmou que a vitória de Mamdani representa “a radicalização do Partido Democrata em nível local”. Já o ex-presidente Barack Obama parabenizou o novo prefeito, dizendo que “a diversidade e a democracia de Nova York estão mais vivas do que nunca”.
Líderes internacionais também reagiram. A premiê do Canadá, Chrystia Freeland, e o prefeito de Londres, Sadiq Khan também muçulmano, enviaram mensagens de apoio, destacando o simbolismo da eleição.
Desafios à frente
Mamdani assume uma cidade com desafios complexos, como o aumento do custo de vida, a crise habitacional e a necessidade de reduzir a criminalidade sem recorrer a políticas de repressão policial excessiva. Ele prometeu cortar subsídios a grandes incorporadoras, expandir programas de aluguel social e criar um plano de renda básica municipal.
“A segurança vem de uma comunidade estável, com teto, educação e dignidade — não apenas de mais policiais nas ruas”, afirmou durante o debate final antes das eleições.
Analistas políticos veem sua vitória como um reflexo do avanço da ala progressista do Partido Democrata, liderada por nomes como Alexandria Ocasio-Cortez e Bernie Sanders, de quem Mamdani é aliado próximo.
O símbolo de uma nova Nova York
A posse de Mamdani, marcada para janeiro de 2026, deve incluir representantes de diversas comunidades religiosas, culturais e sociais da cidade. Em sua primeira medida, o novo prefeito pretende lançar o “Plano Nova York Justa”, com metas de habitação popular e incentivo ao transporte limpo.
“Sou filho de imigrantes e neto de refugiados. Nova York me acolheu, e agora é hora de retribuir”, disse Mamdani, emocionado.
