Voo Recife-Madri apresenta falha pela segunda vez e retorna ao Aeroporto do Recife

DA REDAÇÃO

O voo inaugural da rota Recife-Madri, operado pela Azul Linhas Aéreas em parceria com a companhia portuguesa euroAtlantic Airways, enfrentou mais um contratempo nesta sexta-feira (13). Pela segunda vez na mesma semana, a aeronave decolou com destino à Espanha e precisou retornar ao Aeroporto Internacional do Recife depois de passar horas sobrevoando o mar. O incidente reforça a insegurança em torno da nova rota internacional e preocupa os passageiros que apostaram na novidade da malha aérea nordestina.

Segundo relatos de passageiros, o avião decolou na noite de quinta-feira (12), por volta das 23h, com cerca de duas horas de atraso em relação ao horário inicialmente previsto. Após aproximadamente duas horas e meia de voo, a aeronave começou a realizar manobras circulares sobre o Oceano Atlântico, o que causou apreensão entre os ocupantes. O pouso de retorno ao Recife ocorreu às 2h30 da madrugada de sexta-feira.

O primeiro episódio semelhante havia ocorrido apenas três dias antes, na terça-feira (10), durante o que seria a estreia da linha. Na ocasião, a companhia justificou o retorno ao aeroporto de origem com base em “protocolos de segurança” e alegou que o procedimento de pouso foi feito dentro da normalidade, sem colocar os passageiros em risco. A Azul afirmou que a aeronave realizou órbitas para reduzir o peso da aeronave antes do pouso, conforme normas internacionais de segurança aeronáutica.

Mesmo com a recorrência dos problemas, a empresa manteve o plano de operação da nova rota internacional, que conta com três voos semanais, sempre às terças, quintas e domingos. A proposta da Azul com essa nova frequência é conectar o Nordeste brasileiro diretamente à Europa, sem a necessidade de escalas em São Paulo ou Lisboa, ampliando o protagonismo da capital pernambucana como um polo de conexões internacionais.

No entanto, os dois episódios seguidos lançam dúvidas sobre a estabilidade operacional da rota. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que, embora seja comum a adoção de medidas de precaução, é incomum que problemas técnicos ocorram de forma consecutiva em um mesmo voo inaugural, ainda mais com a mesma aeronave.

Passageiros relataram desconforto e desinformação durante o ocorrido. Muitos alegaram não terem recebido explicações claras da tripulação durante o tempo em que o avião sobrevoava o mar. Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ver a movimentação da aeronave através de aplicativos de rastreamento de voos, que mostram o trajeto circular por diversas vezes no mesmo trecho marítimo antes da decisão de retorno ao Recife.

A empresa informou, por meio de nota, que está investigando a origem do novo problema e que todos os passageiros afetados foram acomodados com o suporte necessário. “A segurança dos nossos clientes e tripulantes é prioridade absoluta. A Azul lamenta os transtornos causados e está empenhada em solucionar os problemas técnicos para garantir a regularidade da nova operação entre Recife e Madri”, afirmou o comunicado.

A recorrência de falhas em voos intercontinentais pode gerar um impacto negativo na percepção do público sobre a confiabilidade da nova rota. Autoridades aeroportuárias e órgãos reguladores, como a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), devem acompanhar com atenção a evolução da situação, especialmente considerando que o fluxo internacional direto é considerado estratégico para o turismo e negócios da região Nordeste.

Além disso, a parceria com a euroAtlantic, responsável por fornecer a aeronave e parte da tripulação, também será analisada com mais rigor. A companhia portuguesa tem operado voos para a Azul em modelos Boeing 767, tradicionalmente usados em rotas de longa distância, mas que demandam manutenção rigorosa para assegurar sua performance em trechos intercontinentais.

O voo Recife Madri é parte do esforço da Azul para descentralizar o eixo Rio-São Paulo na malha aérea internacional e fortalecer os hubs regionais. No entanto, para que isso se concretize com confiança e sucesso, será fundamental restaurar a credibilidade do serviço com medidas rápidas, comunicação clara e garantia de que os problemas técnicos não comprometerão a segurança nem a experiência do passageiro.

Passageiros que estiverem com passagens marcadas para os próximos voos da rota devem acompanhar os canais oficiais da Azul para atualizações e possíveis remanejamentos de voos. Enquanto isso, cresce a pressão para que a empresa revise sua estratégia operacional e garanta que a nova rota comece a decolar de fato e sem mais retornos inesperados.