Trump ameaça impor tarifa de 25% a países que mantiverem negócios com o Irã

DA REDAÇÃO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende impor uma tarifa de 25% a qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã, ampliando a política de pressão econômica contra o regime iraniano. A declaração ocorre em um momento de forte instabilidade interna no país do Oriente Médio, que enfrenta uma nova onda de protestos desde o fim de dezembro.

Segundo Trump, a medida tem como objetivo isolar economicamente o Irã e enfraquecer o governo em Teerã, acusado pelos Estados Unidos de violações sistemáticas de direitos humanos, repressão à população civil e apoio a grupos considerados terroristas por Washington. O presidente norte-americano afirmou que os países que insistirem em negociar com o Irã “terão de arcar com consequências econômicas claras”.

A ameaça de novas tarifas representa um endurecimento significativo da política externa americana em relação ao Irã. Diferentemente de sanções tradicionais, que atingem diretamente empresas e instituições iranianas, a proposta anunciada por Trump amplia o alcance da punição ao atingir parceiros comerciais do país, inclusive aliados históricos dos Estados Unidos.

O anúncio ocorre em meio a protestos que se espalham por diversas cidades iranianas desde 28 de dezembro. As manifestações começaram após denúncias de abuso de poder, dificuldades econômicas e restrições a liberdades individuais, e vêm sendo reprimidas pelas forças de segurança. Organizações internacionais e governos ocidentais têm manifestado preocupação com relatos de mortes, prisões arbitrárias e bloqueios de comunicação.

Trump afirmou que a resposta internacional aos protestos tem sido insuficiente e que os Estados Unidos precisam adotar medidas mais duras para pressionar o regime iraniano. Para ele, o comércio internacional continua sendo uma das principais fontes de sustentação econômica do governo do Irã, mesmo diante de sanções já existentes.

Especialistas em comércio internacional avaliam que a imposição de uma tarifa de 25% a países que negociam com o Irã pode gerar impactos relevantes na economia global, especialmente em setores como energia, petróleo e transporte marítimo. Países da Ásia e da Europa que mantêm relações comerciais com Teerã podem ser diretamente afetados pela medida, caso ela seja implementada.

Analistas também apontam que a proposta pode intensificar tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e seus parceiros estratégicos. Nações que buscam manter canais diplomáticos e comerciais com o Irã podem interpretar a decisão como uma forma de pressão extraterritorial, algo que já gerou conflitos em administrações anteriores.

Do ponto de vista econômico, a medida pode elevar custos para empresas internacionais que operam em mercados ligados ao Irã, além de provocar ajustes nas cadeias globais de suprimentos. No setor energético, qualquer restrição adicional tende a afetar preços do petróleo e derivados, especialmente em um cenário já marcado por instabilidade geopolítica.

O governo iraniano ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ameaça anunciada por Trump, mas autoridades do país já classificaram medidas semelhantes no passado como “agressões econômicas” e “violação do direito internacional”. Teerã costuma afirmar que as sanções impostas pelos Estados Unidos atingem diretamente a população civil e agravam a crise econômica interna.

A proposta de Trump também tem repercussão no cenário político doméstico dos Estados Unidos. Parlamentares aliados defendem a medida como necessária para conter o avanço do Irã e apoiar os manifestantes. Já críticos alertam que o endurecimento pode aumentar o risco de escalada militar e reduzir o espaço para negociações diplomáticas.

Especialistas em relações internacionais destacam que a ameaça de tarifas amplia a estratégia de “pressão máxima” adotada por Trump em relação ao Irã. Essa abordagem aposta no estrangulamento econômico como forma de provocar mudanças internas no regime ou forçar concessões políticas, mas seus resultados seguem sendo alvo de debate.

Enquanto os protestos continuam no Irã e a comunidade internacional acompanha os desdobramentos, a sinalização de novas tarifas reforça o clima de incerteza no comércio global e na geopolítica do Oriente Médio. Caso a medida seja efetivamente implementada, seus efeitos devem ultrapassar a relação bilateral entre Washington e Teerã, atingindo mercados, governos e empresas ao redor do mundo.