Trump diz que conversa com Lula foi “ótima” e sinaliza aproximação com Brasil após tarifaço

Donald Trump
DA REDAÇÃO

Presidentes dos EUA e do Brasil falam por telefone por 30 minutos; Lula pede fim das tarifas e sugere encontro presencial na Malásia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (6) que teve uma “ótima conversa” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que acredita que “os dois países se darão muito bem”. A ligação telefônica ocorreu na manhã desta segunda-feira e durou cerca de 30 minutos, segundo nota oficial do Palácio do Planalto.

O diálogo foi solicitado por Trump e, de acordo com o governo brasileiro, teve tom amistoso, com ambos os líderes relembrando o encontro que tiveram à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Na ocasião, segundo a nota, eles destacaram a “boa química” do encontro presencial.

A principal pauta da conversa, no entanto, foi o pedido de Lula pelo fim do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, medida anunciada por Trump no início de julho e que tem causado efeitos diretos em setores estratégicos da economia brasileira, como o madeireiro, o de etanol e o de maquinários agrícolas.

Encontro previsto para outubro

Durante a conversa, Lula sugeriu que os dois mandatários se encontrem pessoalmente durante a Cúpula da ASEAN, que será realizada na Malásia no dia 26 de outubro. Ainda não há confirmação oficial de que Trump comparecerá à cúpula, mas a disposição de ambos em manter o diálogo aberto e cordial foi vista como um gesto positivo em meio ao cenário de tensão comercial.

“Foi uma conversa muito boa. Gosto do presidente Lula. Tivemos uma ótima ligação. Acho que vamos nos dar muito bem”, afirmou Trump a jornalistas logo após a chamada.

Pressão diplomática do Brasil

A ligação ocorre em meio à crescente pressão do governo brasileiro e de setores produtivos para que Washington reconsidere a política tarifária agressiva contra o Brasil. Nas últimas semanas:

  • Indústrias como a BrasPine, no Paraná, anunciaram férias coletivas para 700 funcionários devido ao impacto da taxação.
  • O governo brasileiro sinalizou que poderá regulamentar a Lei da Reciprocidade, permitindo tarifas retaliatórias a produtos norte-americanos.
  • O presidente Lula ordenou “firmeza e sobriedade” nas negociações, mas sem abrir mão da soberania nacional, especialmente sobre temas internos como o Judiciário.

Investigação comercial em curso

Apesar do tom mais leve da conversa entre os líderes, a tensão comercial continua em alta. Na última semana, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) iniciou uma investigação formal contra o Brasil, a pedido de Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA a mesma usada no passado para sancionar a China.

O documento norte-americano mistura alegações comerciais e políticas, como:

  • supostos ataques às empresas de mídia social dos EUA no Brasil;
  • barreiras tarifárias desleais;
  • falhas na proteção à propriedade intelectual;
  • problemas com corrupção e desmatamento ilegal.

A investigação pode levar à imposição de novas tarifas ou sanções, o que adiciona uma camada extra de urgência às tratativas diplomáticas em andamento.