
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou nesta segunda-feira (10) que três tornados atingiram o estado durante as fortes tempestades da última sexta-feira (7). As análises apontam que os ventos chegaram a impressionantes 330 km/h na cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do estado velocidade equivalente à categoria F3 na Escala Fujita, capaz de destruir construções e arrancar árvores pela raiz. A frase-chave é “tornados no Paraná”.
Além de Rio Bonito do Iguaçu, os municípios de Turvo e Guarapuava também registraram tornados confirmados. O fenômeno causou grande destruição, deixando dezenas de casas destelhadas, plantações devastadas e redes elétricas danificadas.
A força do fenômeno
De acordo com o Simepar, as tempestades começaram no fim da tarde de sexta-feira e se intensificaram rapidamente devido ao encontro de uma massa de ar quente e úmido com uma frente fria vinda do sul. O resultado foi a formação de supercélulas, nuvens gigantes e rotatórias que favorecem a ocorrência de tornados.
“O tornado de Rio Bonito do Iguaçu apresentou rajadas de 300 a 330 km/h, com trilha de destruição de cerca de 12 km. As evidências indicam uma estrutura de alta intensidade, semelhante à registrada em eventos extremos nos Estados Unidos”, afirmou Lizandro Jacóbsen, meteorologista do Simepar.
Os especialistas classificaram o fenômeno dentro da escala EF3 (Enhanced Fujita), que indica ventos entre 254 e 332 km/h suficientes para destruir telhados inteiros, deslocar veículos pesados e derrubar muros e construções de alvenaria.
Cidades devastadas
Em Rio Bonito do Iguaçu, o cenário é de devastação total. Ruas ficaram cobertas de destroços, e comunidades rurais ficaram isoladas. Segundo a Defesa Civil do Paraná, pelo menos 450 residências foram afetadas, e mais de 1.200 pessoas precisaram deixar suas casas.
A prefeitura decretou situação de emergência e montou abrigos temporários em escolas municipais. Equipes do Corpo de Bombeiros e voluntários atuam na retirada de escombros e na distribuição de mantimentos.
“Nunca vimos nada igual. O vento arrancou o telhado da escola e levou o trator do meu vizinho para o meio do pasto”, relatou Marcos Ferreira, morador da comunidade de Pinhalzinho.
Nos municípios vizinhos, Turvo e Guarapuava, o Simepar também identificou a formação de tornados menores, com ventos entre 150 e 200 km/h, classificados como EF1 e EF2. Ainda assim, os danos foram significativos, com postes derrubados e áreas agrícolas destruídas.
Governo acompanha situação
O governador do Paraná, Ratinho Junior, informou que equipes da Cohapar e da Secretaria de Infraestrutura e Logística foram enviadas às áreas atingidas. Ele também anunciou que solicitará apoio federal para reconstrução de moradias e recuperação das estradas afetadas.
“O Paraná enfrentou um dos piores eventos climáticos da sua história. Vamos trabalhar juntos para reconstruir as comunidades atingidas o mais rápido possível”, afirmou o governador em coletiva.
O governo ainda estuda acionar o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, que poderá liberar recursos emergenciais para os municípios mais impactados.
Contexto climático
Os meteorologistas do Simepar e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alertam que a frequência de fenômenos extremos tem aumentado no Sul do Brasil, impulsionada pelas mudanças climáticas globais.
Segundo os especialistas, o aquecimento das águas do Atlântico Sul e do Pacífico intensifica a formação de tempestades severas na região.
“O Paraná está em uma zona de transição entre massas de ar quente e frio, o que torna o estado vulnerável a eventos desse tipo. O cenário de mudança climática amplia a força desses sistemas”, explicou Jacóbsen.
Solidariedade e reconstrução
Organizações religiosas, ONGs e empresas privadas iniciaram campanhas de doações para famílias atingidas. A Defesa Civil mantém canais abertos para contribuições de alimentos, roupas e materiais de construção.
Enquanto isso, os moradores tentam se reerguer diante das perdas. “A gente vai reconstruir. O importante é que estamos vivos”, disse uma moradora ao portal local Olho Aberto Paraná.
