
O ministro da Fazenda, Gabriel Galípolo, afirmou que o impacto do chamado “tarifaço” anunciado pelo governo de Donald Trump sobre produtos importados será relativamente menor para o Brasil em comparação com outras nações. Segundo ele, fatores que no passado eram considerados desvantagens para a economia brasileira como a diversificação de parceiros comerciais e a menor correlação direta com a economia americana agora colocam o país em uma posição mais resiliente diante de mudanças bruscas na política comercial dos Estados Unidos.
O anúncio de Trump prevê a elevação generalizada de tarifas sobre produtos estrangeiros, atingindo em especial nações que mantêm forte dependência do mercado norte-americano. Embora o Brasil também esteja na lista de países afetados, a estrutura de seu comércio exterior reduz a exposição imediata a esse tipo de medida. “Temos uma pauta exportadora diversificada e uma rede de parceiros comerciais que vai além dos Estados Unidos. Isso nos dá fôlego para absorver choques externos”, explicou Galípolo.
Ainda assim, o ministro reconheceu que determinados setores sentirão os efeitos da medida. Indústrias com forte presença no mercado americano, como a de manufaturados, peças automotivas e produtos químicos, podem enfrentar desafios adicionais para manter competitividade. “O impacto não é uniforme e exige atenção do governo para medidas de apoio a setores mais vulneráveis”, afirmou.
Galípolo também destacou que o Brasil pode transformar a situação em oportunidade estratégica, fortalecendo laços comerciais com outras economias e ampliando acordos bilaterais e multilaterais. Nesse contexto, mercados como União Europeia, China e países do Mercosul despontam como destinos prioritários para diversificar e consolidar as exportações brasileiras.
A avaliação do ministro vai ao encontro de análises de economistas e especialistas em comércio exterior, que apontam que a menor integração do Brasil às cadeias produtivas globais ligadas aos Estados Unidos, frequentemente vista como uma limitação ao crescimento, funciona agora como uma espécie de “isolante” contra choques protecionistas. Esse isolamento relativo, segundo os analistas, contrasta com a situação de economias mais dependentes de exportações para os EUA, como México, Vietnã e Canadá, que devem sofrer impacto mais imediato e profundo.
A medida de Trump foi justificada pelo governo americano como parte de uma estratégia para proteger a indústria nacional e reequilibrar a balança comercial. Porém, críticos apontam que a ação pode gerar retaliações e afetar o comércio global, provocando instabilidade nos mercados e nos preços de insumos e produtos finais.
No Brasil, o governo já estuda alternativas para minimizar possíveis prejuízos, incluindo incentivos à competitividade industrial, estímulo à inovação e busca de novos acordos de livre comércio. Galípolo enfatizou que, no cenário atual, a capacidade de adaptação será crucial para preservar o crescimento econômico e evitar efeitos prolongados.
Especialistas lembram que, embora o impacto direto possa ser menor, o efeito indireto via desaceleração da economia global e encarecimento de insumos pode atingir o Brasil. Isso exigirá atenção especial à política monetária e à manutenção da confiança dos investidores.
