
Em um dos episódios mais significativos desde o início da invasão à Ucrânia, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou neste sábado (19) que derrubou 251 drones ucranianos em uma única noite, marcando o maior ataque com veículos aéreos não tripulados (VANTs) já registrado no conflito. Segundo as autoridades russas, os alvos eram principalmente instalações energéticas e militares no território russo, com ataques concentrados em regiões como Krasnodar, Rostov e Volgogrado.
A ação massiva, que foi descrita como uma ofensiva coordenada por múltiplos vetores, provocou danos em refinarias de petróleo e apagões temporários em setores residenciais, especialmente na região de Tuapse, litoral do Mar Negro. A estatal russa Rosneft confirmou que uma de suas refinarias precisou suspender as atividades temporariamente para avaliação de danos.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou o ataque como “uma tentativa desesperada de sabotar a infraestrutura estratégica da Federação Russa”, acrescentando que “todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para reforçar o sistema de defesa aérea do país”.
Nova fase tecnológica da guerra
Embora a Ucrânia não tenha assumido formalmente a autoria da operação, como tem sido comum em outras ofensivas semelhantes, analistas militares apontam que a crescente capacidade de Kiev em operar centenas de drones simultaneamente evidencia uma nova etapa da guerra, marcada pelo uso intensivo de tecnologia e inteligência artificial.
“O que vimos foi uma simulação real de guerra em enxame”, afirmou Alexander Golts, analista de defesa independente. “Essa é uma das primeiras vezes que observamos uma ofensiva com essa escala, o que mostra que a Ucrânia dominou a logística e a orquestração de ataques com dezenas — ou centenas — de VANTs de maneira sincronizada”.
Consequências e retaliações
Autoridades russas afirmaram que nenhuma vítima fatal foi registrada, mas ao menos sete civis sofreram ferimentos leves por estilhaços em Rostov. Ainda de acordo com o governo, diversos sistemas antiaéreos Pantsir-S1 e S-400 foram acionados durante a madrugada, e parte dos drones foi abatida antes de atingir alvos estratégicos.
Do lado ucraniano, fontes ouvidas pela imprensa internacional indicam que o ataque seria uma resposta simbólica aos recentes bombardeios russos em Kharkiv e Dnipro, que deixaram dezenas de mortos. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky não comentou diretamente a ofensiva, mas publicou em suas redes sociais uma mensagem sobre “não permitir que a escuridão prevaleça sobre a justiça”.
Em resposta ao ataque, a Rússia realizou novas ondas de bombardeios sobre instalações energéticas ucranianas, especialmente nas regiões de Zaporizhzhia e Poltava, segundo a Energoatom, empresa estatal ucraniana de energia.
Reações internacionais
A União Europeia e os Estados Unidos expressaram preocupação com a escalada do conflito e com o uso intensivo de drones armados em áreas civis. A secretária de Estado adjunta dos EUA, Wendy Sherman, afirmou que “o uso em larga escala de drones levanta preocupações sobre a escalada regional e a segurança de fronteiras”.
Além disso, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, anunciou que vai convocar uma reunião de emergência da OTAN para discutir os impactos da guerra tecnológica no equilíbrio de poder do leste europeu.
O que esperar
Especialistas indicam que a guerra entrou em um novo paradigma de combate assimétrico, no qual as grandes potências tradicionais enfrentam adversários com acesso a tecnologias de baixo custo, mas alto impacto, como drones comerciais adaptados para fins militares.
Se confirmada a autoria ucraniana, a operação de sexta para sábado pode inaugurar uma estratégia sistemática de ataques de saturação um método que, embora barato para quem o executa, impõe custos elevados de defesa e desgaste ao oponente.
