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O Museu do Louvre, em Paris, foi fechado nesta segunda-feira (20) após o roubo das joias da Coroa francesa, ocorrido no domingo (19). O crime, descrito como um dos mais ousados da história recente da França, durou apenas oito minutos e reacendeu o debate sobre falhas na segurança dos principais museus do país. A frase-chave “roubo no Louvre” passou a dominar manchetes internacionais e a mobilizar forças de segurança em toda a Europa.
De acordo com informações da agência AFP, os criminosos aproveitaram uma brecha no sistema de vigilância do museu para executar o assalto. O grupo, ainda não identificado, conseguiu escapar levando peças de valor inestimável antes da chegada das autoridades. A polícia francesa suspeita de envolvimento do crime organizado internacional, dada a sofisticação da ação e a precisão dos movimentos registrados pelas câmeras de segurança.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, reconheceu publicamente a gravidade do caso. Em entrevista à rádio France Inter, afirmou: “O que é certo é que falhamos. Este episódio projeta uma imagem muito negativa da França e mostra que devemos revisar com urgência nossos protocolos de segurança”.
As joias da Coroa são consideradas um dos maiores patrimônios culturais e históricos da França. Avaliadas em centenas de milhões de euros, as peças fazem parte da coleção permanente do Louvre e simbolizam séculos de história monárquica e artística do país. Entre elas, estariam diamantes e coroas que pertenceram à dinastia Bourbon.
O roubo no Louvre gerou uma onda de repercussão mundial, colocando o sistema de proteção de museus franceses sob intenso escrutínio. Críticos destacam que o episódio ocorre em um momento em que o país já enfrenta dificuldades financeiras para manter a estrutura de segurança em instituições culturais. Desde a pandemia, o governo francês reduziu parte do orçamento destinado à manutenção e vigilância de museus nacionais.
Autoridades locais e a Interpol estão cooperando nas investigações. A hipótese de que as joias possam ter sido contrabandeadas rapidamente para fora da França é considerada provável. As polícias da Bélgica, Alemanha e Itália foram notificadas sobre o caso.
O Louvre, que recebe cerca de 9 milhões de visitantes por ano, teve suas portas fechadas para o público nesta segunda-feira. A direção do museu informou que a medida é temporária e visa apoiar as investigações e revisar protocolos de segurança. Visitantes que estavam na fila nesta manhã foram orientados a reagendar suas visitas.
Esse não é o primeiro episódio de roubo em grandes museus europeus, mas o impacto simbólico e histórico deste crime é especialmente forte. Para especialistas em segurança de patrimônio, o caso expõe vulnerabilidades de instituições que, apesar de tecnologia avançada, ainda dependem de protocolos humanos.
A ministra da Cultura da França, Rachida Dati, prometeu uma “resposta contundente e estrutural”. Segundo ela, o governo criará uma força-tarefa especial para auditar a segurança de todos os museus nacionais, começando pelos que abrigam obras de alto valor histórico.
Enquanto a busca pelos responsáveis segue, a França tenta conter o dano à sua imagem internacional. “Roubar do Louvre é roubar um pedaço da identidade cultural francesa”, afirmou o historiador Pierre Dupont, da Universidade Sorbonne.
O caso, que já entrou para os anais da história criminal europeia, mostra que nem mesmo o museu mais visitado do mundo está imune à audácia de redes criminosas que veem na arte e nas joias antigas um mercado clandestino altamente lucrativo.
