Risco cibernético no Brasil aumenta no fim do ano e acende alerta

A partir de 2023, o quarto trimestre passou a concentrar 66,55% de todos os ataques mitigados pela Huge, com novembro e dezembro respondendo por 56,86% desse volume (peshkov/Getty Images)
DA REDAÇÃO

O risco cibernético Brasil atinge seu ponto mais crítico nos meses finais do ano, consolidando novembro e dezembro como o período de maior vulnerabilidade para empresas, instituições públicas e consumidores. Dados recentes da Huge Networks indicam que, além do aumento no volume de ataques digitais, há também maior sofisticação das ameaças nesse intervalo, aproveitando-se de fatores como maior circulação de dados, operações comerciais intensificadas e redução da vigilância em equipes de tecnologia durante férias e recessos. O cenário acende um alerta para organizações de todos os portes e setores.

Segundo o levantamento, o crescimento dos ataques no fim do ano não é episódico, mas recorrente. Nos últimos anos, novembro e dezembro concentraram a maior parte das tentativas de invasão, golpes financeiros e vazamentos de dados. O fenômeno está diretamente ligado a eventos como Black Friday, Natal e fechamento de balanços empresariais, períodos em que há maior movimentação financeira e troca de informações sensíveis. Portanto, o ambiente se torna mais atrativo para criminosos digitais, que exploram brechas técnicas e comportamentais.

Um dos principais vetores identificados é o aumento de ataques de phishing. Mensagens falsas, muitas vezes disfarçadas de promoções, comunicados bancários ou notificações de entrega, se multiplicam no fim do ano. Com consumidores mais propensos a compras online e menos atentos a detalhes técnicos, a taxa de sucesso dessas fraudes cresce significativamente. Além disso, empresas enfrentam campanhas direcionadas a colaboradores, explorando o cansaço acumulado ao longo do ano e a redução de pessoal em áreas críticas.

O risco cibernético Brasil também se intensifica no ambiente corporativo por causa de mudanças operacionais típicas do período. Muitas empresas operam com equipes reduzidas, terceirizações temporárias e processos acelerados para fechamento de contratos e resultados. Esse contexto aumenta a chance de erros humanos, que continuam sendo um dos principais fatores de incidentes de segurança. Um clique indevido ou uma configuração mal ajustada pode abrir caminho para ataques mais amplos, como ransomware e invasões a sistemas internos.

O levantamento da Huge Networks aponta ainda um crescimento relevante de ataques de negação de serviço (DDoS) durante o fim do ano. Esses ataques visam derrubar sistemas, sites e aplicativos, causando indisponibilidade e prejuízos financeiros. Empresas de e-commerce, instituições financeiras e órgãos públicos figuram entre os principais alvos. A alta demanda por serviços digitais nesse período amplifica o impacto dessas ações, tornando cada minuto de instabilidade mais custoso.

Outro ponto de atenção é o aumento de vazamentos de dados. Com maior volume de informações trafegando em redes corporativas e pessoais, cresce a superfície de ataque disponível para criminosos. Dados pessoais, informações financeiras e credenciais de acesso se tornam alvos valiosos. Especialistas alertam que muitos desses vazamentos só são detectados semanas ou meses depois, quando os danos já estão consolidados. Portanto, a prevenção no fim do ano é ainda mais crítica.

O risco cibernético Brasil não afeta apenas grandes corporações. Pequenas e médias empresas também figuram entre os alvos preferenciais, justamente por possuírem estruturas de segurança mais frágeis. Muitas dessas organizações acreditam, erroneamente, que não despertam interesse de criminosos. No entanto, ataques automatizados buscam qualquer vulnerabilidade disponível, independentemente do porte da empresa. No fim do ano, quando a atenção diminui, essas brechas se multiplicam.

Consumidores finais também enfrentam um cenário mais arriscado. Golpes envolvendo falsas lojas virtuais, links patrocinados maliciosos e perfis falsos em redes sociais aumentam consideravelmente. A combinação de promoções agressivas e urgência nas compras cria o ambiente ideal para fraudes. Além disso, muitos usuários reutilizam senhas ou realizam transações em redes públicas, ampliando o risco de interceptação de dados. A educação digital, portanto, se torna essencial nesse período.

Do ponto de vista regulatório, o aumento de incidentes no fim do ano também pressiona empresas em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Vazamentos ocorridos nesse período podem resultar em sanções, multas e danos reputacionais significativos. Autoridades de proteção de dados observam que muitos incidentes poderiam ser evitados com medidas básicas, como autenticação multifator, atualização de sistemas e políticas claras de acesso. Assim, o risco não é apenas tecnológico, mas também jurídico.

Especialistas em segurança da informação recomendam que empresas adotem planos específicos para o período de maior risco. Isso inclui reforço no monitoramento, revisão de acessos temporários, campanhas internas de conscientização e testes de resposta a incidentes. Além disso, é fundamental garantir que fornecedores e parceiros também estejam alinhados a boas práticas de segurança, já que ataques à cadeia de suprimentos se tornaram mais comuns. Portanto, a gestão do risco deve ser integrada e contínua.

O risco cibernético Brasil no fim do ano também reflete tendências globais. Em diversos países, relatórios apontam padrão semelhante de intensificação de ataques em períodos festivos. Criminosos se aproveitam da previsibilidade desses ciclos e utilizam ferramentas cada vez mais automatizadas e inteligentes, incluindo recursos baseados em inteligência artificial. Isso reduz o custo operacional dos ataques e amplia sua escala, exigindo respostas mais sofisticadas por parte das organizações.

No ambiente corporativo, a cultura de segurança ganha papel central. Empresas que tratam a segurança cibernética como tema estratégico, e não apenas técnico, tendem a responder melhor a períodos de maior risco. A integração entre áreas de TI, compliance, jurídico e comunicação é essencial para minimizar impactos e agir rapidamente em caso de incidentes. O fim do ano, portanto, funciona como um teste de maturidade para a governança digital das organizações.

Para o setor público, o desafio é ainda maior. Serviços essenciais, como saúde, transporte e sistemas governamentais, também sofrem aumento de ataques nesse período. A indisponibilidade de sistemas públicos pode gerar impactos sociais relevantes, além de comprometer a confiança da população. Investimentos em infraestrutura, capacitação e cooperação entre órgãos são apontados como fundamentais para enfrentar esse cenário de risco elevado.