Frida Kahlo se Torna Artista Mulher com Obra Mais Cara Já Vendida na História

DA REDAÇÃO

O novo recorde Frida Kahlo movimentou o mercado internacional ao transformar a pintora mexicana na artista mulher com a obra mais cara já vendida na história. O leilão de “El sueño (La cama)” atingiu US$ 54,7 milhões na Sotheby’s, em Londres, e elevou a pintora a um patamar ainda mais raro no universo artístico. A obra, produzida em 1940, ultrapassou marcas estabelecidas anteriormente pela própria Frida e por Georgia O’Keeffe, que mantinha o primeiro lugar entre artistas mulheres desde 2014. Além disso, o resultado reforça como o interesse global pela artista segue crescendo, impulsionado por colecionadores, museus e pelo avanço de pesquisas acadêmicas sobre sua importância cultural.

O valor impressionante também supera o recorde da própria artista de 2021, quando “Diego y Yo” foi vendida por US$ 34,9 milhões. A comparação evidencia a velocidade com que a obra de Frida se valoriza e como a demanda por pinturas icônicas de seu acervo permanece alta. Portanto, o leilão não apenas quebra números, mas reafirma a influência histórica da artista e sua capacidade de dialogar com públicos diversos ao redor do mundo. A obra vendida retrata Frida deitada em uma cama colonial, com um esqueleto armado suspenso acima dela, unindo elementos de dor, fantasia e simbolismo característicos da artista.

A venda trouxe também novas discussões sobre acesso público. Como “El sueño (La cama)” pertence agora a uma coleção privada, especialistas alertam que obras de alto valor podem permanecer longos períodos longe de museus. No entanto, pedido de exibição já foi enviado por instituições em Nova York, Londres e Bruxelas, que buscam ampliar o acesso à peça. A sobrinha-neta da artista, Mara Romeo Kahlo, celebrou o resultado do leilão e afirmou que a valorização comprova a força da imagem de Frida, reconhecida por públicos contemporâneos de diferentes países. Além disso, ela ressaltou que a artista permanece como símbolo de resistência, identidade e expressão cultural mexicana.

O recorde Frida Kahlo também reacende debates sobre a presença feminina no mercado de arte. Por décadas, obras de mulheres foram subvalorizadas em comparação a artistas masculinos de importância similar. A venda atual desafia essa lógica ao posicionar Frida entre os nomes mais valorizados globalmente. Esse movimento vem sendo impulsionado pela revisão histórica promovida pelo movimento feminista desde os anos 1970, que reposicionou a obra da artista em museus, livros e exposições internacionais. Portanto, não se trata apenas de um valor monetário isolado, mas de um fenômeno que conversa com transformações culturais mais amplas.

Produzida em 1940, a obra faz parte de um período de transição na vida da artista, marcado por deslocamentos geográficos, conflitos pessoais e amadurecimento estético. O esqueleto com dinamite acima de sua cama reforça temas recorrentes em sua trajetória, como fragilidade física e enfrentamento da dor. Além disso, o buquê de flores presente na pintura acrescenta elementos de esperança, afetividade e ironia. A complexidade simbólica dessas peças contribui diretamente para sua valorização no mercado. Quanto mais completa a interpretação artística, maior a percepção pública de sua relevância histórica.

A pintura é uma das poucas obras de Frida que estão em coleções privadas fora do México. No país, seus trabalhos são classificados como monumentos artísticos, o que impede exportações ou descarte. Essa proteção faz com que pinturas disponíveis para negociação no exterior se tornem ainda mais raras e, consequentemente, mais valiosas. “El sueño (La cama)” havia sido vendida anteriormente em 1980 por apenas US$ 51 mil, o que mostra o salto extraordinário de valor ao longo de quatro décadas. Portanto, o leilão atual registra não apenas um recorde, mas um marco de valorização histórica.

O alcance contemporâneo da imagem de Frida Kahlo também influencia esse movimento. Suas obras circulam em exposições internacionais e sua figura é usada em estudos sobre identidade, gênero, cultura e política. O mercado editorial, cinematográfico e acadêmico reforça essa presença, tornando a artista um símbolo de expressões sociais e políticas modernas. Assim, o interesse por suas pinturas não pertence apenas ao universo da arte, mas também ao campo cultural como um todo. Essa expansão de significado amplia a demanda por suas obras e contribui para o aumento de preços.

Outras pinturas de Frida também apresentam valores impressionantes no mercado. “Retrato de una mujer de blanco”, de 1929, foi vendida por US$ 5,8 milhões em 2019, enquanto “Cesta con flores”, de 1941, alcançou US$ 3,13 milhões. Já “Diego y Yo”, que ocupava o primeiro lugar entre artistas mulheres até o novo recorde, havia sido leiloada por US$ 1,4 milhão em 1990 antes de ultrapassar US$ 30 milhões três décadas depois. Portanto, o crescimento do valor de suas obras é consistente, sustentado por colecionadores e instituições que entendem a relevância histórica da pintora.

O sucesso do leilão também traz reflexões sobre preservação e circulação da arte latino-americana, que historicamente recebeu menos espaço nas grandes casas internacionais. A presença de Frida Kahlo no topo do mercado amplia a visibilidade de artistas do continente e abre portas para novas avaliações de obras de outros criadores da região. Além disso, o resultado pode estimular museus e colecionadores a revisitar acervos, promovendo exposições mais diversificadas e acesso mais amplo ao público global.