Putin Anuncia Trégua de 72 Horas, Mas Ucrânia e EUA Rejeitam Pausa Temporária e Cobram Cessar-Fogo Imediato

DA REDAÇÃO

Em mais uma tentativa de sinalizar abertura para o diálogo em meio à guerra prolongada entre Rússia e Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin anunciou nesta segunda-feira (28) um cessar-fogo unilateral de 72 horas, programado para os dias 8, 9 e 10 de maio. A medida, segundo o Kremlin, coincide com as comemorações do 80º aniversário da vitória soviética sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial, e visa, nas palavras oficiais, “demonstrar o compromisso da Rússia com a paz”.

O anúncio, no entanto, foi imediatamente recebido com ceticismo por Kiev e Washington. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, criticou a proposta de Putin por considerá-la simbólica e ineficaz. “Se a Rússia realmente deseja a paz, ela precisa cessar o fogo imediatamente. Por que esperar até 8 de maio?”, questionou Sybiha em publicação na rede X (antigo Twitter), acrescentando que uma trégua real não pode se restringir a “um desfile”.

A Casa Branca também se manifestou. O presidente norte-americano Donald Trump declarou que deseja um cessar-fogo permanente e expressou frustração com o que chamou de “jogos estratégicos” por parte de Putin. Fontes próximas ao gabinete presidencial afirmaram que o ataque russo recente a Kiev — duramente criticado por Trump — aumentou a desconfiança dos Estados Unidos quanto à sinceridade das intenções do Kremlin.

Putin, por sua vez, destacou em nota que todas as operações militares serão suspensas durante os três dias de trégua e que espera o mesmo comportamento por parte da Ucrânia. “No caso de violações por parte do lado ucraniano, as Forças Armadas da Rússia darão uma resposta adequada e eficaz”, alertou o governo russo em comunicado oficial.

Este é o segundo anúncio de trégua unilateral feito por Putin em menos de um mês. O primeiro, ocorrido durante a Páscoa, durou 30 horas e foi amplamente ignorado por ambos os lados, que se acusaram mutuamente de descumpri-lo. Agora, o novo cessar-fogo parece caminhar pelo mesmo rumo, com cada parte mantendo suas exigências e desconfianças mútuas.

Durante o funeral do Papa Francisco, realizado no fim de semana em Roma, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se encontrou com Trump e reiterou que Kiev está aberta a negociações com Moscou — mas sob a condição de que o fogo seja cessado de maneira concreta. Segundo Zelensky, seu governo defende uma trégua de pelo menos 30 dias como condição mínima para o reinício das conversas.

Entretanto, o Kremlin insiste que a solução precisa ser abrangente e não episódica. Em sua declaração, reiterou disposição para “conversações de paz sem pré-condições”, buscando atacar o que considera “as causas fundamentais da crise ucraniana”. Para Putin, qualquer solução negociada deve envolver reconhecimento mútuo de territórios e garantias de segurança, pontos que permanecem inegociáveis para Kiev e seus aliados.

O impasse é agravado por um decreto assinado por Zelensky em 2022, que proíbe legalmente qualquer negociação direta com Putin, após a anexação unilateral de quatro regiões ucranianas pela Rússia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou nesta segunda-feira que “a bola está com a Ucrânia”, já que cabe a Kiev tomar a iniciativa de suspender essa restrição legal.

Ao mesmo tempo, rumores de pressão crescente sobre ambos os lados surgem nos bastidores da diplomacia internacional. Washington estaria avaliando endurecer sua postura, enquanto potências europeias buscam manter os canais diplomáticos abertos, apesar das dificuldades e frustrações acumuladas.

A trégua proposta por Putin, portanto, parece mais uma jogada de xadrez no cenário político internacional do que um gesto genuíno de paz. Para a Ucrânia, um cessar-fogo com data marcada para terminar é insuficiente. Para os Estados Unidos, a paciência com Moscou está se esgotando. E para os civis nos territórios afetados, o conflito continua sendo um pesadelo diário, independentemente das promessas, discursos ou datas comemorativas.

Enquanto isso, o mundo observa com atenção os movimentos de maio, tentando entender se o gesto de Putin será um prelúdio para um caminho diplomático mais sólido — ou apenas mais uma pausa estratégica antes da retomada dos confrontos.