A final da Copa Intercontinental de futebol, disputada no Catar, confirmou um roteiro dramático e repetiu um desfecho doloroso para o futebol brasileiro. Com atuação decisiva do goleiro Matvei Safonov, o PSG campeão mundial superou o Flamengo na decisão por pênaltis após empate por 1 a 1 no tempo normal e conquistou o título do novo modelo de competição adotado pela Fifa para substituir o antigo Mundial de Clubes. O resultado consolidou o domínio europeu no torneio e deixou o rubro-negro carioca com mais um vice em decisões intercontinentais.
O herói improvável da noite foi Safonov. Goleiro da seleção russa e pouco badalado em relação às estrelas ofensivas do elenco parisiense, ele brilhou no momento mais tenso da final. Nas cobranças por pênaltis, defendeu quatro tentativas do Flamengo e foi o principal responsável pela conquista do clube francês. Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo pararam no arqueiro do PSG, enquanto apenas Nico de la Cruz conseguiu converter para o time brasileiro. Do lado francês, Vitinha e Nuno Mendes marcaram, garantindo a vitória por 2 a 1 nas penalidades.
O empate no tempo normal refletiu o equilíbrio da partida. O PSG abriu o placar com Kvaratskhelia, explorando a qualidade técnica e a velocidade de seu ataque. O Flamengo respondeu com personalidade e chegou ao empate com Jorginho, em um gol que manteve a equipe viva na disputa. A partir daí, o jogo se tornou mais truncado, com forte disputa no meio-campo e poucas chances claras. Ambas as equipes demonstraram cautela, conscientes de que qualquer erro poderia ser fatal em uma final de caráter mundial.
A conquista consolida o PSG campeão mundial como um projeto esportivo que finalmente alcança um título intercontinental. Atual campeão europeu e vice no Mundial de Clubes realizado no início do segundo semestre, nos Estados Unidos, o clube francês foi ao Catar exclusivamente para o confronto diante do Flamengo. O foco total na decisão contrastou com a trajetória mais longa do time brasileiro, que precisou superar adversários de diferentes continentes antes de chegar à final.
O Flamengo, antes de enfrentar o PSG, derrotou o Cruz Azul, do México, por 2 a 1, e o Pyramids, do Egito, por 2 a 0, em partidas disputadas nos dias 10 e 13 de dezembro. As vitórias confirmaram a força do elenco rubro-negro e alimentaram a expectativa da torcida por um título mundial inédito na era moderna. No entanto, mais uma vez, o time esbarrou em um adversário europeu no momento decisivo.
O novo vice revive lembranças amargas para o Flamengo. Em 2019, o clube já havia ficado com a segunda colocação ao ser derrotado pelo Liverpool por 1 a 0. A última vez que o rubro-negro conquistou um título intercontinental foi em 1981, quando venceu o mesmo Liverpool por 3 a 0 na antiga Copa Toyota, disputada em jogo único entre os campeões da Europa e da Libertadores. Desde então, o cenário mudou, com maior disparidade financeira e técnica entre clubes sul-americanos e europeus.
O PSG campeão mundial também simboliza o peso do investimento financeiro no futebol contemporâneo. Com um elenco recheado de estrelas e sustentado por recursos bilionários, o clube francês transformou domínio doméstico em protagonismo internacional. Mesmo com erros nas cobranças Dembélé, eleito na véspera o melhor jogador do mundo, bateu por cima do travessão, e Barcola parou no goleiro Rossi o PSG contou com Safonov para compensar as falhas ofensivas e garantir o troféu.
Para o Flamengo, o vice não apaga a grande temporada. O clube chegou ao Catar como tetra campeão da Copa Libertadores da América e também do Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos. Esses títulos reforçam a hegemonia nacional e continental do time, mas o Mundial segue como um obstáculo difícil de ser superado. A diferença de orçamento, profundidade de elenco e calendário pesa no confronto direto com clubes europeus, especialmente em finais decididas nos detalhes.
A decisão no Catar também marcou a consolidação do novo formato da Copa Intercontinental, que reúne campeões de diferentes continentes em uma estrutura mais próxima de torneios eliminatórios. A Fifa aposta nesse modelo para ampliar o alcance global da competição e oferecer mais jogos aos clubes fora da Europa. No entanto, o resultado reforça um padrão recente: mesmo com mudanças de formato, os clubes europeus continuam levando vantagem no desfecho final.
O desempenho de Safonov ganhou destaque imediato na imprensa internacional. O goleiro, que não figurava entre os protagonistas do elenco parisiense, saiu da final como símbolo da conquista. Em torneios curtos, a atuação de um goleiro pode ser decisiva, e foi exatamente isso que ocorreu. O título do PSG campeão mundial ficará marcado como a consagração de um jogador que soube lidar com a pressão máxima em um palco global.
Para o futebol sul-americano, a final reacende o debate sobre competitividade internacional. Clubes como Flamengo, Palmeiras e River Plate conseguem montar elencos fortes e competitivos, mas enfrentam dificuldades para igualar o poder financeiro europeu. Ainda assim, partidas equilibradas como a final no Catar mostram que o abismo não é absoluto. O problema, muitas vezes, está nos detalhes, na eficiência e na capacidade de decidir sob pressão.
O vice do Flamengo também provoca reflexões internas. Apesar da campanha sólida, a equipe deixou escapar o título nos pênaltis, um fundamento que costuma decidir finais desse porte. A derrota não diminui a importância do clube no cenário internacional, mas evidencia a necessidade de evolução constante para transformar boas campanhas em títulos globais. A frustração da torcida é grande, mas o reconhecimento pelo desempenho também se faz presente.
