
A cantora, atriz, empresária e apresentadora Preta Gil morreu neste domingo, aos 50 anos, após uma batalha intensa contra um câncer no intestino diagnosticado em janeiro de 2023. A informação foi confirmada por sua assessoria e por Gilberto Gil, seu pai, que usou as redes sociais para anunciar o falecimento e informar que a artista faleceu em Nova York, onde realizava tratamento experimental nos Estados Unidos. A família já iniciou os trâmites para a repatriação do corpo.
Preta Maria Gadelha Gil Moreira travou uma luta pública e comovente contra um adenocarcinoma intestinal, enfrentando cirurgias, quimioterapia, radioterapia e, nos últimos meses, tratamentos de última geração no exterior. Em 2024, chegou a anunciar que a doença estava em remissão, mas logo após comemorou seus 50 anos com uma grande festa no Rio de Janeiro, veio a recaída. O câncer retornou de forma agressiva, com metástases em linfonodos, ureter e peritônio.
A artista foi admirada não apenas pelo talento musical e presença midiática, mas também pela forma corajosa e transparente com que dividiu sua trajetória de dor, vulnerabilidade e esperança com o público. Em suas redes sociais, compartilhava momentos do tratamento, mensagens de fé e de resistência, mantendo o bom humor e a voz ativa mesmo diante da adversidade. “Escolhi viver isso tudo com a cabeça erguida, como sempre fiz”, disse ao vencer o Prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo, em 2025.
Filha de Gilberto Gil com Sandra Gadelha, Preta nasceu no coração de uma das famílias mais importantes da música brasileira. Cresceu cercada por arte, cultura e política. Iniciou a carreira musical no início dos anos 2000 com o álbum Prêt-à-Porter, e ao longo das décadas seguintes se consolidou como voz potente na defesa da diversidade, dos direitos LGBTQIA+, da liberdade corporal e da negritude.
Além da música, foi apresentadora, empresária, atriz e produtora cultural. Criou blocos de Carnaval, participou de novelas, lançou livros e construiu uma presença constante na mídia. Sua obra é marcada por autenticidade e engajamento traços que transformaram Preta em uma das personalidades mais influentes de sua geração.
Nos últimos anos, Preta também enfrentou turbulências pessoais. Em 2023, revelou que havia se separado do então marido, Rodrigo Godoy, após descobrir uma traição ocorrida enquanto ela realizava tratamento oncológico. O episódio, longe de enfraquecê-la, fortaleceu ainda mais sua imagem pública como mulher resiliente. “Minha dor não é fraqueza, é motor de transformação”, afirmou em entrevistas à época.
Em 2024, lançou sua autobiografia “Preta Gil: Os primeiros 50”, uma obra que mesclava memórias artísticas, familiares e pessoais, com relatos profundos sobre o enfrentamento da doença. O livro rapidamente se tornou um best-seller e ampliou ainda mais o carinho do público com sua história.
A decisão de buscar tratamento experimental nos Estados Unidos foi compartilhada com seus seguidores. Em maio de 2025, ela se consultou no Virginia Cancer Institute e, em seguida, foi ao Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York centro de referência mundial no combate ao câncer. Amigos como Carolina Dieckmann e Gominho, além de familiares, estiveram ao seu lado durante a internação, revezando cuidados e apoio emocional.
Durante sua última fase de tratamento, Preta seguiu ativa nas redes, mesmo em situações de internação ou baixa imunidade. Em uma das últimas postagens, escreveu: “Mais uma dose. Mais uma esperança. Mais um dia com fé.” A mensagem resume a força com que enfrentou a dor até o fim, mantendo viva a chama de quem nunca se curvou aos rótulos, à injustiça ou ao medo.
A notícia de sua morte gerou comoção nacional. Famosos, políticos, fãs e personalidades da cultura prestaram homenagens, destacando seu legado artístico, sua coragem e a contribuição inestimável para a representatividade no Brasil. Gilberto Gil, visivelmente abalado, ainda não fez declarações públicas além do comunicado oficial, mas há expectativa de que um velório seja realizado no Rio de Janeiro, onde Preta sempre manteve raízes afetivas profundas.
Preta Gil deixa um filho, Francisco, fruto de seu primeiro casamento, que seguiu carreira na música e chegou a dividir palcos e gravações com a mãe. A canção feita em homenagem à artista que se tornou um dos hits mais ouvidos no streaming será lembrada como uma das mais tocantes declarações de amor entre mãe e filho na música brasileira contemporânea.
O Brasil se despede de uma mulher plural, irreverente e revolucionária. Preta Gil transformou dor em arte, intimidade em luta coletiva, e palco em trincheira. Sua ausência será sentida, mas sua presença resistirá em cada verso, cada desfile, cada grito de liberdade e amor.
