Presidente da Conafer é preso durante CPI do INSS e solto após pagar fiança

Presidente da Conafer é solto após prestar depoimento e pagar fiança
DA REDAÇÃO

O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer), Carlos Lopes, foi preso nesta segunda-feira (14) durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS. Ele é acusado de envolvimento em um esquema de descontos ilegais em aposentadorias, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. A prisão aconteceu no momento em que o depoente se negava a responder a perguntas dos parlamentares e adotava postura considerada desrespeitosa pela presidência da comissão.

A detenção foi autorizada pelo presidente da CPI, deputado federal Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), que citou prerrogativas regimentais para garantir a ordem dos trabalhos. Policiais legislativos foram acionados e conduziram Lopes para a Superintendência da Polícia Federal, onde ele foi autuado e, posteriormente, liberado após o pagamento de uma fiança estipulada em R$ 30 mil.

A CPI do INSS foi instaurada para investigar suspeitas de desvios em benefícios previdenciários por meio de descontos indevidos realizados por entidades de classe que, supostamente, representavam aposentados e pensionistas sem autorização expressa. A Conafer está entre as instituições investigadas por formalizar convênios com o INSS e aplicar cobranças automáticas em contracheques, muitas vezes sem o consentimento dos beneficiários.

Segundo apuração preliminar da comissão, os valores descontados de milhares de beneficiários teriam sido desviados para contas vinculadas a dirigentes da entidade e empresas de fachada. A movimentação financeira suspeita ultrapassaria R$ 70 milhões, segundo relatório parcial da CPI.

Durante o depoimento, Carlos Lopes negou envolvimento direto no esquema, mas evitou responder a questões cruciais sobre contratos, repasses e beneficiários lesados. A relatora da comissão, deputada Erika Kokay (PT-DF), classificou a postura do depoente como “desrespeitosa, evasiva e contraditória”.

A defesa de Lopes afirmou, em nota, que a prisão foi “arbitrária e política”, e que seu cliente tem colaborado com as investigações. “Vamos recorrer da medida e provar a legalidade das ações da Conafer. Há interesses em descredibilizar a atuação da entidade”, declarou o advogado Ricardo Castro.

A CPI do INSS deve votar nas próximas semanas a convocação de outros dirigentes de entidades envolvidas, além de funcionários do INSS e representantes de bancos que operaram os repasses. O presidente da comissão, Áureo Ribeiro, disse que “nenhuma organização está acima da lei” e que o objetivo da CPI é “proteger o aposentado e cortar o mal pela raiz”.