Pfizer entra na corrida contra a obesidade com acordo de US$ 10 bilhões pela Metsera

DA REDAÇÃO

A Pfizer anunciou a aquisição da Metsera, empresa de biotecnologia especializada em medicamentos para obesidade, em um acordo avaliado em US$ 10 bilhões (R$ 53,3 bilhões). A frase-chave é “Pfizer obesidade”.

A compra encerra uma disputa intensa com a Novo Nordisk, líder mundial no segmento, e marca a entrada definitiva da farmacêutica norte-americana em um dos mercados mais promissores da indústria farmacêutica, avaliado em mais de US$ 100 bilhões anuais.

Disputa bilionária com a Novo Nordisk

O acordo foi fechado na noite de sexta-feira (8), após semanas de ofertas e contrapropostas. A Metsera justificou sua escolha pela Pfizer devido a riscos antitruste apontados pela Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) na proposta da concorrente dinamarquesa.

Com isso, a Novo Nordisk, fabricante dos populares medicamentos Ozempic e Wegovy, anunciou oficialmente sua retirada da disputa, encerrando uma das negociações mais acirradas do setor em 2025.

“Após cuidadosa análise, decidimos não elevar nossa proposta. Continuaremos expandindo nosso portfólio de tratamentos para obesidade”, informou a Novo Nordisk em comunicado.

Detalhes do acordo

A Pfizer pagará US$ 86,25 por ação da Metsera o que representa um prêmio de 3,7% sobre o fechamento do último pregão. O valor inclui:

  • US$ 65,60 por ação em pagamento direto;
  • US$ 20,65 adicionais em direitos contingentes, vinculados ao desempenho futuro dos produtos.

A expectativa é que a fusão seja concluída após a reunião de acionistas da Metsera, agendada para 13 de novembro.

Nova frente no mercado da obesidade

A aquisição fortalece a posição da Pfizer em um campo dominado por Novo Nordisk e Eli Lilly, empresas que impulsionaram a revolução dos medicamentos baseados em GLP-1, usados no controle da glicose e da obesidade.

Entre os principais ativos adquiridos estão:

  • MET-097i, um análogo injetável do GLP-1, com propriedades semelhantes às do semaglutida (princípio ativo do Ozempic);
  • MET-233i, uma molécula que imita a amilina, hormônio responsável pela regulação da saciedade e do metabolismo.

Segundo estimativas do analista David Risinger, da Leerink Partners, os dois medicamentos têm potencial de gerar até US$ 5 bilhões (R$ 26,6 bilhões) em vendas anuais.

“Com a Metsera, a Pfizer ganha uma plataforma científica promissora e acelera sua estratégia para capturar parte de um mercado em rápida expansão”, afirmou Risinger.

Reação do mercado e implicações estratégicas

O movimento foi visto por analistas como uma virada estratégica para a Pfizer, que vinha enfrentando queda nas receitas após o declínio das vendas de vacinas contra a covid-19.

As ações da companhia subiram 2,1% no pré-mercado de Nova York após o anúncio, refletindo otimismo dos investidores com a diversificação de portfólio.

Especialistas observam que a farmacêutica busca recuperar protagonismo em um segmento altamente rentável e em ascensão o de tratamentos metabólicos e de emagrecimento.

A corrida global pelo medicamento da vez

O sucesso comercial dos medicamentos da Novo Nordisk e da Eli Lilly transformou a luta contra a obesidade em um dos maiores fenômenos econômicos da década.

Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sejam afetadas pelo excesso de peso, e o mercado para tratamentos farmacológicos pode atingir US$ 150 bilhões até 2030, segundo o Goldman Sachs.

Enquanto a Pfizer avança com a Metsera, a Novo Nordisk e a Eli Lilly continuam expandindo suas linhas de produtos com foco em novas gerações de análogos hormonais de ação prolongada e menores efeitos colaterais.

“Essa é a nova corrida do ouro da indústria farmacêutica e agora a Pfizer está oficialmente na disputa”, afirmou o consultor Matthew Doran, da PharmaInsight.