
Após ser aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados, a PEC da Blindagem retorna agora ao centro dos debates no Senado. A proposta, que amplia a proteção judicial para parlamentares e presidentes de partidos, gerou forte reação popular, com manifestações em várias capitais e pedidos de desculpas públicos de alguns deputados que votaram a favor do texto. A frase-chave “PEC da Blindagem” tornou-se símbolo de uma disputa entre o Congresso e a opinião pública sobre limites da imunidade parlamentar.
O projeto prevê mudanças profundas em medidas cautelares, foro privilegiado e abertura de processos contra parlamentares. Um dos pontos mais polêmicos é a possibilidade de deputados e senadores deliberarem, em votação secreta, sobre prisões determinadas pela Justiça contra colegas de mandato. Para críticos, a proposta abre caminho para a impunidade e fragiliza o sistema de freios e contrapesos da democracia brasileira.
Na Câmara, a PEC foi aprovada com ampla maioria, apoiada sobretudo por partidos do Centrão, PL, Republicanos e parte do PT. O placar no primeiro turno foi de 353 votos a favor e 134 contra, enquanto no segundo turno foram 344 favoráveis e 133 contrários. No entanto, a aprovação desencadeou reações negativas. Nas ruas, manifestantes acusaram o Congresso de legislar em causa própria, enquanto movimentos sociais e entidades da sociedade civil classificaram a medida como “um retrocesso histórico”.
No Senado, o cenário é mais incerto. Alguns senadores já sinalizaram resistência diante da pressão popular. Parlamentares de oposição prometem obstruir a tramitação, enquanto líderes governistas tentam calibrar sua posição, já que parte da base do presidente Lula votou favoravelmente na Câmara. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que a Casa “não pode ignorar a reação da sociedade” e prometeu debates mais amplos antes da votação.
O impacto da PEC da Blindagem extrapola o ambiente político. Juristas alertam que, caso aprovada, a emenda enfraquecerá a capacidade do Judiciário de aplicar sanções a parlamentares, aumentando a sensação de descrédito nas instituições. Organizações internacionais de combate à corrupção também acompanham o caso, apontando riscos de enfraquecimento do Estado de Direito.
Diante da repercussão, alguns deputados que apoiaram o texto chegaram a pedir desculpas publicamente, afirmando que não avaliaram com a devida atenção os efeitos da proposta. Esse movimento reforça o peso da pressão popular e pode influenciar o posicionamento de senadores ainda indecisos.
Enquanto isso, manifestações continuam sendo convocadas em diferentes estados. Nas redes sociais, a hashtag #PECdaVergonha ganhou força, reunindo milhões de publicações contrárias à medida. Especialistas em comunicação política destacam que esse tipo de mobilização digital pode impactar diretamente os votos no Senado, especialmente entre parlamentares que disputarão reeleição em 2026.
A expectativa é de que a proposta seja discutida nas próximas semanas em comissões temáticas antes de seguir para votação no plenário do Senado. Se aprovada sem alterações, a PEC será promulgada; caso contrário, voltará à Câmara para ajustes.
O destino da PEC da Blindagem se transformou em um dos maiores testes de credibilidade do Congresso neste ano. Entre a pressão popular e os interesses políticos, o Senado terá a responsabilidade de definir se a blindagem será consolidada ou rejeitada diante da forte resistência social.
