Outubro Rosa, Câncer de Mama e Maternidade

OUTUBRO ROSA SERÁ COMEMORADO EM TODAS AS UNIDADES DE SAÚDE DO MUNICÍPIO -  Prefeitura Municipal da Estância Turística de Pereira Barreto
DA REDAÇÃO

A campanha Outubro Rosa amplia o debate sobre a vida após o tratamento, com foco nas mulheres jovens que desejam ser mães

Durante o Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama, cresce também o espaço para discussões além do diagnóstico precoce e da prevenção. Entre os temas de destaque está a preservação da fertilidade, uma preocupação crescente entre mulheres jovens diagnosticadas com a doença.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o mais comum entre as brasileiras, com aproximadamente 74 mil novos casos por ano. Embora os avanços no diagnóstico e tratamento tenham aumentado as chances de cura, os impactos reprodutivos e hormonais da terapia oncológica ainda são profundos, principalmente para quem sonha com a maternidade.

A quimioterapia, por exemplo, pode levar à menopausa precoce, à infertilidade e a uma série de alterações hormonais. Por isso, a medicina tem direcionado atenção especial a mulheres em idade fértil, buscando oferecer soluções que não apenas salvem vidas, mas que também respeitem seus projetos de vida pessoal e familiar.

Estudo global reforça importância da preservação da fertilidade

Em 2024, um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) reforçou a urgência dessa abordagem. A pesquisa analisou 1.213 mulheres com até 40 anos diagnosticadas com câncer de mama. Dessas, 197 tentaram engravidar após o fim do tratamento.

Os dados revelam um ponto sensível: mulheres que não realizaram nenhum tipo de preservação da fertilidade como congelamento de óvulos ou embriões apresentaram menor chance de sucesso na gestação. Por outro lado, aquelas que optaram por preservar seus gametas antes do início da quimioterapia tiveram maior taxa de nascimento com vida.

Outro aspecto relevante do estudo foi a idade média no momento do diagnóstico, que foi de 32 anos. Quanto mais próxima dos 40 anos a paciente estava, menor era a probabilidade de gravidez bem-sucedida após o tratamento.

Caminhos possíveis e apoio multidisciplinar

Diante dessas evidências, instituições de saúde e sociedades médicas vêm atualizando suas diretrizes para incluir aconselhamento sobre fertilidade antes do início do tratamento oncológico. O objetivo é garantir que as pacientes tenham todas as informações necessárias para tomar decisões conscientes sobre seu futuro reprodutivo.

Esse suporte exige uma atuação multidisciplinar que envolva oncologistas, ginecologistas, especialistas em fertilização assistida, psicólogos e assistentes sociais. Cada caso é avaliado individualmente, considerando o estágio da doença, o tipo de tratamento necessário, o tempo disponível antes do início da quimioterapia e os recursos financeiros da paciente.

Programas de apoio inclusive de organizações não-governamentais também têm ganhado força, promovendo o acesso gratuito ou subsidiado a tratamentos de preservação de fertilidade em clínicas especializadas.

Mais que um outubro cor-de-rosa

A campanha Outubro Rosa, que inicialmente mirava o diagnóstico precoce, hoje abraça uma pauta mais ampla: qualidade de vida durante e após o câncer de mama. Para muitas mulheres jovens, a possibilidade de ser mãe representa não apenas a continuidade da vida, mas também a superação de um dos momentos mais difíceis de suas jornadas.

Ao integrar o debate sobre fertilidade às estratégias de enfrentamento do câncer de mama, o movimento amplia sua relevância social. A mensagem que ecoa em 2025 é clara: viver após o câncer também significa poder sonhar com o futuro inclusive com a maternidade.