
Mulheres Bilionárias do Brasil em 2025: Entre Heranças e Iniciativas Próprias, Nove Nomes Resistentes ao Cenário Econômico Global
Em um cenário marcado por instabilidade cambial, retração econômica e volatilidade dos mercados, o Brasil viu sua representatividade feminina entre os bilionários globais diminuir. Em 2025, apenas nove mulheres brasileiras figuram na tradicional lista da Forbes US, que classifica os detentores de fortunas superiores a US$ 1 bilhão. O número representa uma queda considerável em relação às 14 brasileiras presentes em 2024 — um recuo que ecoa os impactos da desvalorização de 27% do real frente ao dólar.
Apesar disso, o Brasil ainda se mantém à frente de seu próprio histórico: em 2023, apenas seis mulheres brasileiras integravam o ranking. Globalmente, o número total de mulheres bilionárias também apresentou uma leve alta: de 13,3% em 2024 para 13,4% em 2025, ou seja, 406 mulheres em um universo de 3.028 bilionários.
Vicky Safra: Liderança em Filantropia e a Maior Fortuna Feminina do País
No topo da lista brasileira está Vicky Safra, de 72 anos, viúva do banqueiro Joseph Safra, falecido em 2020. Com um patrimônio estimado em impressionantes US$ 20,7 bilhões (R$ 125,4 bilhões), ela é atualmente a mulher mais rica do Brasil e ocupa a 98ª posição no ranking global.
A fortuna de Vicky e seus filhos deriva do tradicional império financeiro do Grupo Safra, com presença significativa nos Estados Unidos, Europa e América Latina. Além de controlar instituições como o Banco Safra no Brasil e o J. Safra Sarasin, na Suíça, a família também é dona de uma das maiores carteiras de imóveis comerciais do mundo. Sob a liderança de Vicky, a fundação filantrópica Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation patrocina projetos nas áreas de educação, saúde e artes.
Cristina Junqueira: A Única Self-Made da Lista
Em um ambiente ainda dominado por heranças familiares, Cristina Junqueira desponta como exceção. Cofundadora do Nubank, um dos maiores bancos digitais do mundo, Junqueira possui patrimônio estimado em US$ 1,4 bilhão (R$ 8,4 bilhões). Sua inclusão na lista reforça a presença feminina no setor de tecnologia e finanças e representa um raro caso de ascensão por mérito próprio entre as bilionárias brasileiras.
Formada em engenharia e com passagens pelo mercado financeiro tradicional, Cristina tornou-se símbolo da transformação digital no setor bancário, tendo liderado importantes iniciativas de expansão e inovação. O Nubank, listado na bolsa de Nova York desde 2021, é avaliado atualmente em dezenas de bilhões de dólares.
Lucia Maggi: O Nome Feminino do Agro Bilionário
Outro destaque é Lucia Maggi, cofundadora do Grupo André Maggi, a Amaggi. Sua fortuna, avaliada em US$ 1 bilhão, tem origem no agronegócio, setor que responde por parcela significativa do PIB nacional. Fundado ao lado do falecido marido, André Maggi, o grupo é hoje um dos maiores conglomerados do agro brasileiro, com atuação em produção agrícola, logística e energia.
Lucia é mãe de Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura. A matriarca da família Maggi ainda ocupa posições de influência na gestão do grupo e é respeitada por sua discrição e solidez empresarial.
Perdas no Ranking: Saídas Relevantes em 2025
A edição de 2025 também marca a saída de nomes importantes da lista da Forbes. Anne Werninghaus, herdeira da fabricante de motores elétricos WEG, não conseguiu manter o patrimônio acima da marca bilionária. O mesmo ocorreu com Dulce Pugliese de Godoy Bueno, cofundadora da Amil e uma das figuras femininas mais relevantes da saúde privada no país.
Outras bilionárias que haviam entrado no ranking em 2024, como Maria Consuelo Dias Branco (do grupo alimentício M. Dias Branco), Maria Cristina Frias (herdeira do jornal Folha de S.Paulo) e Regina Helena Velloso (ligada à Votorantim), também ficaram de fora este ano. A instabilidade do câmbio e o desempenho das ações de suas empresas são fatores centrais para essas exclusões.
Câmbio e Instabilidade Econômica: Um Inimigo Invisível
A forte desvalorização do real frente ao dólar foi um dos principais elementos que impactaram a permanência ou saída de nomes brasileiros da lista da Forbes. Em 2025, o corte para estar entre os bilionários permanece fixado em US$ 1 bilhão. Com a moeda nacional enfraquecida, muitos patrimônios em reais passaram a não alcançar mais essa linha de corte em dólar.
Dos 69 brasileiros que figuraram na lista de 2024, apenas 56 permaneceram em 2025. Ou seja, além das mulheres, o país como um todo perdeu representatividade no ranking. Esse fenômeno reforça como oscilações cambiais influenciam diretamente a percepção internacional sobre fortunas privadas.
Futuro da Riqueza Feminina no Brasil: Avanços Lentos, Mas Relevantes
Embora ainda representem minoria entre os bilionários — tanto no Brasil quanto no mundo —, as mulheres têm conquistado espaços importantes no cenário empresarial e financeiro. O crescimento, ainda que tímido, do número global de mulheres bilionárias reflete avanços em questões estruturais como acesso à educação, empreendedorismo feminino, herança e participação em conselhos e grupos familiares.
A presença de Cristina Junqueira e Lucia Maggi demonstra que há espaço, mesmo que restrito, para bilionárias que construíram suas fortunas por meio do trabalho e visão estratégica, e não apenas por sucessão patrimonial. Isso sinaliza uma lenta, mas constante, transformação nos perfis dominantes da elite econômica brasileira.
A lista da Forbes não é apenas um retrato de quem possui mais dinheiro. É também um espelho da estrutura econômica, política e cultural do país. Em 2025, o Brasil ainda apresenta um panorama de concentração patrimonial, com forte presença de herdeiros e famílias tradicionais. A participação feminina, embora relevante, continua limitada e dependente, em grande parte, da continuidade de legados familiares.
Entretanto, figuras como Cristina Junqueira pavimentam novos caminhos e mostram que é possível redefinir as regras do jogo. Para as próximas gerações de mulheres empreendedoras e executivas, essas bilionárias representam mais do que riqueza: representam possibilidades, exemplos e marcos de um futuro que pode — e precisa — ser mais inclusivo, igualitário e inovador.
