Mercado de criptomoedas no Brasil cresce 109% em um ano

DA REDAÇÃO

O mercado de criptomoedas no Brasil vive uma fase de expansão sem precedentes. De acordo com relatório da empresa Chainalysis, o país movimentou R$ 1,7 trilhão em apenas um ano, registrando crescimento de 109% em relação ao período anterior. O levantamento mostra que o Brasil não apenas lidera a adoção de criptoativos na América Latina, mas também se consolida como um dos dez maiores mercados do mundo, atraindo investidores institucionais, empresas e usuários comuns.

Esse salto expressivo reflete a combinação de fatores econômicos e sociais. De um lado, o cenário de inflação global e busca por diversificação impulsionou o interesse em ativos digitais como alternativa de investimento. De outro, a ampliação da infraestrutura regulatória e tecnológica no país criou um ambiente mais seguro e transparente para transações. A recente regulamentação do setor, aprovada pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), fortaleceu a confiança de grandes players, favorecendo o avanço do ecossistema.

Segundo o relatório, o Brasil responde por mais de 60% de todas as transações de criptomoedas na América Latina, ultrapassando países como México e Argentina. A participação de investidores institucionais cresceu significativamente, representando quase metade do volume total. Exchanges locais e internacionais também ampliaram sua presença, com foco em soluções de segurança, custódia e acesso simplificado para usuários iniciantes.

O destaque vai para o aumento da adoção do Bitcoin e do Ethereum, ainda líderes absolutos em capitalização, mas também para o crescimento acelerado das stablecoins, especialmente o USDT (Tether), amplamente usado em transações comerciais e como proteção contra a volatilidade cambial. O relatório aponta que o USDT responde por mais de 40% das negociações realizadas no Brasil, mostrando que sua função vai além da especulação, sendo também uma ferramenta de preservação de valor.

Outro dado relevante é o perfil dos investidores brasileiros. Enquanto no início do ciclo cripto a maior parte das operações vinha de jovens em busca de ganhos rápidos, agora há uma diversificação maior. Famílias de alta renda, fundos de investimento e até empresas do varejo e do agronegócio já incorporam criptomoedas em suas estratégias financeiras. A chegada de ETFs de Bitcoin e Ethereum à B3 também contribuiu para legitimar os criptoativos no mercado tradicional.

Apesar do crescimento, especialistas alertam para desafios persistentes. A volatilidade continua sendo um dos principais riscos, assim como os golpes e fraudes digitais, que ainda circulam em grande escala. O próprio Banco Central reforça que educação financeira é crucial para evitar perdas e estimular um uso mais consciente.

Para analistas, o Brasil caminha para se tornar um hub de inovação cripto na América Latina, especialmente com a expansão de projetos ligados à tokenização de ativos, Web3 e DeFi (finanças descentralizadas). Iniciativas como o Drex, o real digital em fase de testes, também podem ampliar a integração entre criptoativos e o sistema financeiro tradicional.

O crescimento de 109% no mercado de criptomoedas no Brasil em apenas um ano mostra não apenas a força da demanda, mas também o amadurecimento de uma indústria que, até pouco tempo atrás, era vista com desconfiança. Hoje, com maior regulação e participação institucional, o país sinaliza que está preparado para disputar espaço entre as maiores potências do setor.