
A escalada no conflito entre Israel e Irã atingiu um novo patamar nesta sexta-feira (14), com um ataque direto das Forças de Defesa de Israel (FDI) à sede da TV estatal iraniana, localizada no coração da capital Teerã. O bombardeio, parte da operação militar “Leão Ascendente”, marca mais um movimento de alta intensidade do governo israelense contra estruturas simbólicas e estratégicas do regime iraniano.
Segundo relatos iniciais de testemunhas locais e imagens que circularam nas redes sociais, o prédio sofreu danos significativos após ser atingido por mísseis de precisão. As transmissões foram interrompidas por alguns minutos, e a população foi orientada a evitar deslocamentos nas imediações da emissora.
A ofensiva contra a TV estatal ocorre após uma série de ataques coordenados de Israel contra instalações nucleares, centros militares e a infraestrutura de comando das Forças Armadas do Irã. Esses ataques foram justificados por Tel Aviv como “ações preventivas” diante da ameaça crescente do programa nuclear iraniano.
Autoridades israelenses afirmam que o ataque à emissora teve como objetivo desestabilizar o aparato de propaganda do regime dos aiatolás, que tem utilizado a TV estatal como ferramenta central para mobilizar a população e hostilizar Israel e seus aliados. “A TV estatal iraniana tem sido um instrumento da máquina de guerra ideológica do regime. O ataque visa interromper essa narrativa hostil”, afirmou um porta-voz militar de Israel.
Do lado iraniano, o governo classificou o ataque como uma violação grave do direito internacional e acusou Israel de “agredir alvos civis”. A chancelaria iraniana declarou que a destruição da sede da TV estatal é um atentado direto à soberania do país e prometeu uma resposta “à altura e com severidade”.
A emissora atacada é considerada um dos principais órgãos de comunicação controlados pelo Estado iraniano, com abrangência nacional e papel decisivo na consolidação do discurso do governo. Além de jornalismo, o canal veicula pronunciamentos oficiais, transmissões religiosas e programação cultural alinhada aos interesses do regime dos aiatolás.
O ataque também gerou forte repercussão entre as potências globais. Representantes da Rússia e da China pediram “contenção imediata” e classificaram a ofensiva como “temerária e provocativa”. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) demonstrou preocupação com o aumento das tensões, especialmente após a destruição de centros nucleares iranianos na mesma operação.
A resposta iraniana ainda é aguardada com apreensão. O general Abolfazl Shekarchi, porta-voz das Forças Armadas iranianas, alertou que “Israel cruzou uma linha vermelha” ao atingir alvos civis e que “nenhum ponto do território israelense estará seguro”. As declarações aumentam o temor de uma retaliação em larga escala, seja diretamente ou por meio de milícias aliadas como Hezbollah e Hamas.
Na capital Teerã, o clima é de tensão generalizada. Sirenes soaram durante a madrugada, e moradores relataram longas filas em postos de gasolina e mercados. As autoridades locais determinaram o fechamento de escolas e prédios públicos até segunda ordem.
A ofensiva israelense ocorre em um momento em que o Irã tenta recompor sua cadeia de comando militar, após a morte de altos oficiais da Guarda Revolucionária em ataques anteriores. O bombardeio à TV estatal soma-se a uma série de movimentos que visam desestabilizar o aparato de poder iraniano e gerar impactos psicológicos sobre a população.
Analistas internacionais avaliam que o conflito caminha para um ponto crítico. A destruição de uma emissora estatal, normalmente vista como um símbolo da soberania e identidade nacional, é interpretada como um gesto de guerra simbólica. “É como se Israel estivesse dizendo: não apenas destruímos sua capacidade militar, mas também sua capacidade de falar”, analisa o especialista em segurança do Oriente Médio, David Levy.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não deu declarações públicas após o bombardeio, mas fontes do gabinete afirmam que ele está acompanhando de perto os desdobramentos da operação e prepara o país para possíveis ataques de retaliação nos próximos dias.
Enquanto isso, cidades israelenses reforçam seus sistemas de defesa aérea e alertam a população para possíveis lançamentos de mísseis de longo alcance. A expectativa é de que o Irã utilize sua rede de aliados na região para responder de forma indireta, evitando um confronto frontal imediato, mas aumentando a instabilidade em países como Líbano, Síria e Iêmen.
A comunidade internacional assiste com preocupação à deterioração rápida do cenário geopolítico no Oriente Médio. Organizações humanitárias pedem cessar-fogo imediato e acesso livre às áreas atingidas pelos bombardeios. No entanto, as perspectivas são incertas, com ambas as nações reafirmando o compromisso com suas respectivas estratégias militares e diplomáticas.
O ataque à sede da TV estatal iraniana pode ser lembrado como um dos marcos simbólicos mais fortes deste conflito, representando não apenas uma ofensiva contra estruturas militares, mas contra a própria narrativa que sustenta o regime de Teerã. O Oriente Médio, mais uma vez, se vê à beira de uma crise internacional de proporções imprevisíveis.
