Haddad confirma saída do Ministério da Fazenda em fevereiro

Haddad: ministro deve deixar governo Lula em fevereiro (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
DA REDAÇÃO

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixará o comando da pasta em fevereiro. A declaração foi feita em entrevista ao portal Metrópoles e encerra semanas de especulações sobre sua permanência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de confirmar a saída, Haddad afirmou que não pretende disputar cargos eletivos nas eleições de 2026. Segundo ele, a decisão é pessoal e está relacionada ao encerramento de um ciclo político iniciado ainda antes de sua entrada no atual governo. A fala busca afastar rumores de que a saída da Fazenda estaria ligada a um projeto eleitoral futuro.

Haddad assumiu o Ministério da Fazenda no início do terceiro mandato de Lula, em um contexto de forte expectativa do mercado sobre os rumos da política econômica. Durante sua gestão, o ministro esteve à frente da reconstrução do arcabouço fiscal, da redefinição da relação com o Congresso Nacional e da tentativa de ancorar expectativas em torno da trajetória das contas públicas.

Ao longo do período, a condução da política fiscal foi marcada por negociações intensas com o Legislativo, resistências internas e cobranças constantes do mercado financeiro por maior previsibilidade e controle dos gastos. Ainda assim, Haddad se consolidou como o principal porta-voz da estratégia econômica do governo, atuando diretamente na articulação de medidas para equilibrar responsabilidade fiscal e programas sociais.

A confirmação da saída em fevereiro abre espaço para discussões sobre a sucessão no Ministério da Fazenda, uma das pastas mais sensíveis da Esplanada. A escolha do novo titular será acompanhada de perto por investidores, empresários e analistas, que veem na Fazenda um termômetro da orientação econômica do governo Lula para os próximos anos.

Nos bastidores, a transição é vista como um momento delicado, especialmente em um cenário de juros elevados, crescimento econômico moderado e necessidade de manter a credibilidade do novo regime fiscal. Interlocutores do governo afirmam que Haddad deverá permanecer no cargo até a conclusão de agendas consideradas estratégicas, garantindo uma passagem de comando sem rupturas abruptas.

Ao descartar uma candidatura em 2026, Haddad também sinaliza que sua saída não representa um reposicionamento imediato no tabuleiro eleitoral. A declaração busca reduzir a leitura política do movimento e reforçar a ideia de que a decisão está ligada ao encerramento de sua missão no Executivo federal.

A saída de Haddad marca o fim de um dos períodos mais intensos da política econômica recente, em que o governo buscou conciliar demandas sociais, pressões fiscais e expectativas do mercado. O anúncio antecipa um novo capítulo na condução da economia brasileira, cujo rumo dependerá do perfil e das prioridades do próximo ministro da Fazenda.