Governo destina R$ 2,7 bilhões para pacotes de reforma agrária

DA REDAÇÃO

O governo federal anunciou a destinação de R$ 2,7 bilhões para um conjunto de pacotes voltados à reforma agrária, com foco em ampliar a estrutura produtiva, o acesso ao crédito e as condições de permanência das famílias assentadas no campo. Os recursos fazem parte da estratégia para fortalecer a agricultura familiar, reduzir desigualdades regionais e ampliar a produção de alimentos básicos no país ao longo de 2026.

O plano prevê a aplicação dos recursos em diferentes frentes, incluindo aquisição de terras, infraestrutura nos assentamentos, assistência técnica, crédito produtivo e apoio à comercialização. A coordenação das ações ficará a cargo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em parceria com ministérios ligados ao desenvolvimento agrário, à agricultura e ao combate à fome.

Segundo o governo, a proposta vai além da criação de novos assentamentos e busca consolidar projetos já existentes. Parte relevante dos recursos será destinada à melhoria de estradas vicinais, acesso à água, energia elétrica, habitação rural e regularização fundiária, pontos historicamente apontados como gargalos para a sustentabilidade econômica dos assentamentos.

Outro eixo central do pacote é o incentivo à produção. O plano inclui linhas de crédito específicas para assentados, apoio à compra de insumos, máquinas e equipamentos, além da ampliação da assistência técnica e extensão rural. A intenção é aumentar a produtividade, diversificar culturas e integrar os pequenos produtores às cadeias locais e regionais de abastecimento.

O governo também destaca que os investimentos estão alinhados a políticas de segurança alimentar e nutricional. A expectativa é que o fortalecimento da agricultura familiar contribua para ampliar a oferta de alimentos no mercado interno, ajudando a conter pressões inflacionárias e a garantir renda no campo, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social.

Dentro do pacote, há ainda iniciativas voltadas à sustentabilidade ambiental, com estímulo a práticas de produção de baixo impacto, recuperação de áreas degradadas e incentivo a sistemas agroecológicos. A proposta é conciliar a expansão da produção com a preservação dos recursos naturais, em linha com compromissos ambientais assumidos pelo país.

Especialistas do setor agro avaliam que o volume de recursos representa um dos maiores aportes recentes destinados à reforma agrária, mas ressaltam que a efetividade dependerá da execução. Para analistas, a capacidade de coordenação entre órgãos federais, estados e municípios será decisiva para transformar o investimento em ganhos concretos de renda e produtividade.

O anúncio ocorre em um momento em que o debate sobre política agrária volta ao centro da agenda nacional, em meio a discussões sobre desenvolvimento rural, combate à pobreza e equilíbrio entre grandes produtores e agricultura familiar. O governo sustenta que os pacotes de reforma agrária não competem com o agronegócio de grande escala, mas atuam de forma complementar, fortalecendo a base produtiva do campo brasileiro.

A implementação das medidas deve ocorrer ao longo de 2026, com cronograma a ser detalhado pelo Incra e pelos ministérios envolvidos. A expectativa oficial é que milhares de famílias sejam diretamente beneficiadas pelos investimentos, com impacto indireto sobre economias locais, geração de emprego e dinamização do mercado regional.