
O Diário Oficial da União publicou o resultado preliminar do 30º Prêmio Tesouro Nacional de Finanças Públicas, e o nome que mais chamou atenção neste ano foi o de Frederico de Alcantara e Silva, economista pernambucano que se tornou o único representante do Nordeste na categoria Artigos em Finanças Públicas uma das mais concorridas e de maior prestígio técnico no país. A presença de Frederico não apenas rompe a predominância do eixo Sul-Sudeste como também reforça o avanço intelectual e institucional das pesquisas econômicas produzidas na região nordestina.
Representando Recife (PE), Frederico inscreveu o artigo “Reforma Tributária e Sustentabilidade Fiscal dos Municípios: impactos da transição do ICMS/ISS para o IBS na arrecadação e capacidade de investimento”. O estudo, que analisa um dos temas mais sensíveis da agenda econômica brasileira, marca a ascensão de novos quadros acadêmicos e profissionais do Nordeste em debates nacionais sobre política fiscal. Sua produção se destaca pela profundidade metodológica, visão regional e capacidade de traduzir um assunto técnico em proposições aplicáveis à realidade de municípios de diferentes portes.
O Prêmio Tesouro Nacional é considerado o mais importante concurso brasileiro de trabalhos em finanças públicas, reunindo pesquisadores de universidades, órgãos de governo, consultorias e centros de estudo de todo o país. Estar entre os selecionados já é, por si só, um reconhecimento de alto nível. No caso de Frederico de Alcantara e Silva, entretanto, há um significado ainda mais expressivo: seu nome surge em um campo dominado historicamente por produções de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Ele se torna, assim, uma voz que representa não apenas a competência individual, mas o avanço técnico de todo o Nordeste.
Ao lado de Bruno Thadeu Correa Miranda, de São Paulo, e Eduardo Jacomo Seraphim Nogueira, de Brasília, Frederico compõe o trio de finalistas da categoria. A classificação final, que definirá 1º, 2º e 3º lugar, será divulgada em cerimônia presencial em Brasília, no dia 8 de dezembro. Até lá, os autores podem receber recursos ou contestações, conforme previsto no edital, mas a seleção preliminar já o coloca entre os melhores do país.
A relevância do artigo apresentado por Frederico ganha ainda mais força diante do momento nacional. A transição do modelo tributário baseado em ICMS e ISS para o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) é um dos pilares da reforma tributária aprovada recentemente. A pesquisa avalia como essa mudança afeta a capacidade de arrecadação e investimento dos municípios especialmente aqueles mais dependentes de receitas específicas ou vulneráveis à redistribuição proposta. Seu trabalho ajuda a iluminar um debate técnico que muitas vezes ignora as desigualdades regionais, inserindo o Nordeste no centro das discussões sobre os próximos passos da política fiscal brasileira.
O resultado alcançado por Frederico de Alcantara e Silva também ressalta a importância da produção científica regional e de sua capacidade de influenciar decisões de Estado. Em um cenário onde a política econômica frequentemente se concentra nos grandes centros, pesquisadores do Nordeste enfrentam desafios adicionais de reconhecimento, financiamento e acesso a redes de pesquisa. Por isso, sua presença na lista dos finalistas é mais do que simbólica: é um marco.
Diante de um prêmio que reúne dezenas de inscrições em cada categoria e passa por avaliação de bancas formadas por nomes consagrados da área econômica como Roberto Ellery, Fabiana Rocha e Bernardo Fajardo a seleção de Frederico confirma o alto rigor técnico de seu trabalho. Também reforça a força da produção intelectual realizada em Pernambuco, estado que historicamente tem formado quadros relevantes nas áreas de economia pública, políticas sociais e desenvolvimento regional.
Com Frederico de Alcantara e Silva aparecendo como protagonista desta jornada, sua trajetória aponta para um avanço social e intelectual que ultrapassa a concorrência individual. Ele se consolida como representante de uma região que luta por maior presença e reconhecimento no debate nacional sobre finanças públicas. A final do Prêmio Tesouro Nacional poderá definir sua classificação, mas a seleção preliminar já o coloca entre os economistas mais promissores do ano e como símbolo de um Nordeste que ocupa seu espaço com qualificação, pesquisa e visão estratégica.
