Falhas de segurança no Louvre antecedem roubo de US$ 102 milhões

DA REDAÇÃO

Relatórios internos e auditorias privadas revelaram que o Museu do Louvre, em Paris, apresentava falhas estruturais graves em seu sistema de segurança antes do roubo de joias históricas avaliado em US$ 102 milhões (R$ 550 milhões), ocorrido em 19 de outubro de 2025. A investigação indica que o crime foi executado por pequenos criminosos amadores, e não por uma quadrilha especializada, reforçando as críticas sobre a vulnerabilidade de um dos museus mais importantes do mundo. A frase-chave “falhas de segurança no Louvre” sintetiza o tema central da denúncia.

Segundo o jornal francês Libération, que teve acesso a relatórios confidenciais, programas desatualizados, ausência de manutenção e senhas fracas incluindo uma senha principal identificada como “Louvre” estavam entre as fragilidades apontadas. O documento também menciona o uso de softwares sem suporte técnico desde 2019, o que teria comprometido a capacidade do museu de responder a emergências.

“Os sistemas de vigilância do Louvre funcionam com infraestrutura ultrapassada e sem supervisão contínua de cibersegurança”, destaca um trecho do relatório obtido pelo Libération.

Um sistema ultrapassado em um ícone mundial

Os relatórios indicam que pelo menos oito softwares críticos estavam sem atualização há anos, entre eles o sistema Sathi, desenvolvido pela empresa Thales em 2003 e responsável pelo monitoramento das câmeras e controle de acesso do museu. A Thales encerrou o suporte técnico ao sistema em 2019, mas o Louvre não renovou o contrato de manutenção, deixando brechas abertas para falhas operacionais.

Após as revelações, a ministra da Cultura da França, Rachida Dati, admitiu pela primeira vez que “houve falhas” na segurança do museu, revertendo o posicionamento oficial do governo, que inicialmente havia negado irregularidades.

“O caso é um alerta para todos os museus do país. A segurança do patrimônio cultural francês precisa ser modernizada”, declarou Dati à imprensa.

Roubo de joias conduzido por criminosos amadores

As investigações conduzidas pela promotoria de Paris indicam que o roubo foi praticado por pequenos criminosos da periferia norte da cidade, sem histórico de envolvimento com o crime organizado. Segundo a promotora Laure Beccuau, o grupo não possuía o perfil de profissionais experientes em grandes furtos.

A ação ocorreu em plena luz do dia, quando dois homens usaram um elevador de mudanças para acessar o segundo andar do Louvre, quebraram uma janela, abriram vitrines com ferramentas elétricas e fugiram em scooters conduzidas por dois cúmplices. O assalto durou menos de sete minutos.

Três dos quatro suspeitos já foram presos. As joias roubadas ainda não foram recuperadas, e os investigadores acreditam que parte delas pode ter sido repassada ao mercado negro. O grupo chegou a abandonar a coroa da Imperatriz Eugênia, uma das peças mais valiosas da coleção, feita de ouro, esmeraldas e diamantes, durante a fuga.

O impacto e as consequências

O roubo provocou repercussão internacional e levou à reavaliação imediata dos protocolos de segurança em museus franceses. O Louvre, que havia reaberto as portas ao público em 22 de outubro após três dias de fechamento, enfrenta agora críticas sobre negligência administrativa e falta de investimento tecnológico.

Especialistas em segurança afirmam que o incidente expôs uma “crise de gestão” e alertam para o risco de novos ataques se as vulnerabilidades digitais e estruturais não forem corrigidas.

“Não se trata apenas de uma falha de vigilância, mas de um problema sistêmico de governança e tecnologia”, avaliou o consultor de segurança museológica Philippe Desmoulins em entrevista à France 24.

Um escândalo para o governo francês

O caso chega em um momento delicado para o governo da França, que tenta fortalecer a imagem do país como referência cultural e destino turístico seguro. A perda temporária de joias da coleção real francesa e a repercussão midiática colocaram pressão sobre o Palácio do Eliseu, especialmente diante da proximidade da Semana de Moda de Paris e dos preparativos para os Jogos Olímpicos de 2026.

O Museu do Louvre anunciou que fará uma auditoria completa de seus sistemas de vigilância e controle de acesso, com o apoio do Ministério da Cultura e da empresa Thales. A reforma também incluirá a modernização de câmeras e sensores em todas as galerias.

Enquanto isso, a promotoria mantém buscas internacionais pelas joias roubadas e pelos possíveis receptadores. O episódio, descrito pela imprensa francesa como “o maior fracasso de segurança cultural da década”, continua a abalar a reputação da instituição.