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O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito nesta terça-feira (4) presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada no Senado Federal para investigar ações de milícias, facções criminosas e lavagem de dinheiro em todo o país. A relatoria da comissão ficou com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), conhecido por sua atuação em comissões de investigação anteriores, como a CPI da Covid.
A frase-chave “CPI do Crime Organizado” resume o foco da nova frente parlamentar, que promete se tornar um dos principais eixos de enfrentamento ao avanço do crime no Brasil.
A CPI foi instalada após aprovação unânime da Mesa Diretora e tem prazo inicial de 180 dias, podendo ser prorrogado. O objetivo é mapear a estrutura financeira e política das organizações criminosas, incluindo possíveis conexões com agentes públicos.
“O crime organizado se infiltrou nas estruturas do Estado. Não podemos mais permitir que ele dite regras de poder e medo nas comunidades”, afirmou Contarato em seu discurso de posse.
Foco nas milícias e lavagem de dinheiro
De acordo com o requerimento aprovado, a CPI vai investigar a atuação das milícias no Rio de Janeiro, Pernambuco e Pará, além do financiamento de facções como o PCC e o Comando Vermelho. Também serão apurados crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ligados a agentes públicos e empresas de fachada utilizadas para escoar recursos ilícitos.
O relator Alessandro Vieira afirmou que a comissão terá um caráter técnico e apartidário, com base em dados da Polícia Federal, Ministério Público e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
“Nosso objetivo é identificar onde o Estado falha, onde o dinheiro sujo entra e quem se beneficia com isso. Vamos cruzar dados de investigações anteriores com novas informações de inteligência”, destacou Vieira.
Contexto político e apoio institucional
A criação da CPI ocorre em meio ao debate sobre o aumento da violência organizada e às críticas à falta de integração entre os órgãos de segurança. O tema ganhou ainda mais força após a megaoperação no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes e reacendeu discussões sobre violência policial e poder das facções.
Líderes partidários de diferentes bancadas declararam apoio à CPI, classificando-a como uma “agenda de Estado”. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), defendeu que a investigação seja conduzida com independência, responsabilidade e transparência, afirmando que o objetivo é “recuperar a confiança da população na Justiça e nas instituições democráticas”.
Primeiros passos e cronograma
Entre as primeiras ações da comissão, está o pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal de suspeitos ligados a milícias e facções. A CPI também planeja convocar governadores, secretários de segurança e ex-integrantes das polícias para prestar depoimento.
Além disso, o colegiado pretende ouvir familiares de vítimas de operações policiais, representantes da Defensoria Pública, Polícia Federal e Ministério da Justiça.
Os trabalhos devem começar já na próxima semana, com sessões abertas transmitidas pela TV Senado e pela Agência Senado, garantindo transparência ao processo.
“A CPI não é um palco político, é um instrumento de justiça. Nossa missão é simples: expor as redes do crime e propor soluções concretas”, reforçou Contarato.
Apoio do governo e expectativa pública
O Palácio do Planalto manifestou apoio à CPI, mas afirmou que não interferirá nas decisões da comissão. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do ministro Ricardo Lewandowski, colocou à disposição os dados da PF e do Coaf para colaborar com as investigações.
Organizações civis e movimentos de direitos humanos também acompanharão as atividades da CPI, temendo que a pauta seja usada para justificar endurecimentos repressivos sem foco em reformas estruturais.
A expectativa é que o relatório final apresente propostas de legislação sobre combate ao crime organizado, incluindo regras mais rígidas para lavagem de dinheiro, milícias digitais e financiamento de facções, além de mecanismos de proteção a testemunhas e agentes públicos ameaçados.
