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O Brasil possui uma das maiores oportunidades do mundo para transformar seu setor de transportes e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa. Um estudo recente aponta que a eletrificação da frota brasileira pode ser responsável por uma redução de até 35% nas emissões do setor até o ano de 2050. A projeção reforça o papel estratégico do país na agenda climática global e destaca a necessidade de investimentos em tecnologias limpas, infraestrutura energética e políticas públicas consistentes.
A diretora de Sustentabilidade da Motiva, Juliana Silva, comentou que o Brasil está em posição privilegiada para liderar esse movimento, dada sua matriz energética já majoritariamente renovável. Segundo ela, a eletrificação representa não apenas uma oportunidade ambiental, mas também uma alavanca econômica, capaz de atrair bilhões em investimentos verdes e criar milhares de empregos.
De acordo com o levantamento, a transição para modais elétricos, como ônibus urbanos, caminhões leves e veículos de passageiros, deve ser acompanhada por um plano robusto de incentivos fiscais, subsídios à produção local de baterias e veículos, além de programas de infraestrutura de recarga distribuída. O sucesso da eletrificação dependerá também do engajamento do setor privado e da sociedade civil na adoção de práticas de baixo carbono.
A Motiva, organização especializada em mobilidade sustentável, reforça que os ganhos não são apenas ambientais. O transporte elétrico reduz ruídos, melhora a qualidade do ar e diminui os custos operacionais para empresas e prefeituras. A substituição gradual da frota a combustão pode gerar uma economia de mais de R$ 200 bilhões até 2050 com gastos relacionados à saúde e poluição urbana.
Atualmente, o setor de transportes responde por cerca de 47% das emissões de CO₂ do setor de energia no Brasil, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. A maioria dessas emissões vem do transporte rodoviário, em especial de caminhões movidos a diesel. A eletrificação surge como solução viável não apenas para o transporte de passageiros, mas também para a logística de cargas.
O estudo também aborda o papel das energias limpas, em especial a solar e a eólica, no fornecimento da eletricidade que abastecerá os veículos. Com uma das matrizes mais renováveis do mundo, o Brasil pode garantir que seus veículos elétricos sejam verdadeiramente sustentáveis, evitando o paradoxo de poluir ao gerar energia para não poluir.
Juliana Silva enfatiza que a eletrificação é parte essencial da estratégia nacional de descarbonização. “Estamos diante de um momento decisivo. O Brasil precisa se posicionar como líder global em mobilidade limpa. Temos a energia, a tecnologia e o capital humano para isso. O que falta é coragem política e visão estratégica”, afirmou.
Ela ainda destacou que o sucesso da eletrificação dependerá da articulação entre governo, empresas e setor acadêmico. Iniciativas como o Renovabio, programas estaduais de incentivo à energia limpa e o avanço de startups focadas em mobilidade sustentável são sinais de que o Brasil começa a trilhar o caminho certo, mas ainda há muito a ser feito.
Além da eletrificação de veículos, o estudo sugere a promoção de alternativas modais como ferrovias eletrificadas, transporte hidroviário e ciclovias integradas, principalmente nos centros urbanos. A transição também deve prever qualificação profissional para motoristas, mecânicos e engenheiros que atuam no setor.
O relatório alerta, no entanto, que o ritmo atual de adoção de veículos elétricos no país ainda é lento. O número de veículos elétricos em circulação ainda representa menos de 1% da frota nacional. A falta de infraestrutura de carregamento, altos preços de aquisição e incertezas regulatórias continuam sendo os principais entraves.
O estudo conclui que, se o Brasil quiser atingir as metas climáticas do Acordo de Paris e consolidar sua liderança na nova economia verde, a eletrificação dos transportes será inevitável e urgente. O cenário ideal prevê que, em 2050, mais da metade dos veículos em circulação sejam elétricos ou híbridos plug-in, com abastecimento proveniente de fontes limpas.
Com planejamento estratégico, incentivos corretos e políticas de longo prazo, o Brasil poderá reduzir significativamente as emissões do transporte, melhorar a qualidade de vida urbana e acelerar sua inserção competitiva em um mundo cada vez mais pautado pela sustentabilidade. A eletrificação não é mais uma aposta: é uma necessidade.
