Dólar fecha no menor valor em 10 meses, a R$ 5,42

Dólar: A moeda americana fechou em queda de 0,75%, chegando a R$ 5,416 na mínima do dia (Designed by/Freepik)
DA REDAÇÃO

A moeda americana encerrou o pregão desta segunda-feira (1º) com forte queda, fechando cotada a R$ 5,42, no menor patamar registrado em 10 meses. A desvalorização diária foi de 0,75%, com a cotação atingindo R$ 5,416 na mínima intradiária. O movimento foi impulsionado por dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que aumentaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, poderá cortar os juros antes do previsto.

O relatório JOLTS, que mede as vagas abertas de emprego nos EUA, mostrou um declínio maior do que o esperado, sugerindo desaquecimento da atividade econômica. O número de novas vagas caiu para o menor patamar desde fevereiro de 2021, alimentando especulações sobre a necessidade de estímulos monetários por parte do Fed nos próximos meses.

A percepção de que o ciclo de aperto monetário nos EUA pode estar próximo do fim reduziu a atratividade do dólar frente a moedas emergentes, como o real. A maior liquidez internacional, combinada à expectativa de manutenção da taxa básica de juros brasileira em níveis elevados por mais tempo, tem favorecido o ingresso de capital estrangeiro no país, fortalecendo a moeda nacional.

Para analistas de mercado, o real também se beneficiou do ambiente externo mais positivo para ativos de risco, o que inclui bolsas e moedas de países emergentes. O índice do dólar (DXY), que compara a moeda americana com uma cesta de outras seis moedas fortes, também fechou em queda, refletindo a menor demanda global por dólar em um contexto de possível flexibilização monetária.

Segundo João Pedro Silveira, estrategista de câmbio da Nomos Investimentos, “a expectativa de cortes de juros nos EUA no segundo semestre muda o jogo no mercado de câmbio. Os investidores estão saindo de posições defensivas em dólar e migrando para moedas com juros mais atrativos, como o real”. Ele ainda destacou que o fluxo de recursos externos para a Bolsa brasileira tem sido um fator adicional de pressão baixista sobre o dólar.

No Brasil, o cenário de inflação controlada e de crescimento moderado tem dado margem para o Banco Central manter os juros estáveis por mais tempo, o que aumenta a atratividade dos títulos públicos brasileiros. A taxa Selic atualmente está em 10,50% ao ano e, diante das incertezas fiscais, o Copom já sinalizou cautela em novos cortes. Esse diferencial de juros entre Brasil e EUA amplia o chamado “carry trade”, operação em que investidores internacionais se aproveitam das taxas elevadas no país para obter ganhos.

No mercado de contratos futuros de câmbio, também houve forte recuo nos prêmios de risco embutidos nos derivativos. Os contratos com vencimento para agosto fecharam precificando o dólar abaixo de R$ 5,40, refletindo a confiança dos agentes financeiros na continuidade da valorização do real, ao menos no curto prazo.

Outro fator que colaborou para o alívio cambial foi o comportamento dos preços das commodities, especialmente o minério de ferro e o petróleo, cujas cotações se mantiveram firmes no mercado internacional. Como o Brasil é grande exportador de commodities, esse movimento gera expectativas de entrada adicional de dólares no país.

Apesar do bom momento, economistas alertam para possíveis riscos no horizonte. As incertezas fiscais internas, os ruídos em torno da política econômica e a possível deterioração do cenário geopolítico global com tensões no Oriente Médio e na Ásia ainda podem pressionar o câmbio nos próximos meses.

“O real ainda está sujeito a volatilidade. Por enquanto, o fluxo é positivo, mas qualquer sinal de deterioração nas contas públicas ou aumento do risco político pode reverter rapidamente esse quadro”, afirmou Luciana Medeiros, analista da MacroFund Brasil.

Ainda assim, o consenso de mercado é que, se o Fed realmente iniciar uma trajetória de queda nos juros até o fim do ano, o dólar deve seguir pressionado para baixo frente ao real, especialmente se o Brasil mantiver estabilidade na política monetária e credibilidade no controle fiscal.

Na Bolsa de Valores, o dia também foi positivo. O Ibovespa fechou em alta de 1,2%, impulsionado por ações de exportadoras e bancos, que tendem a se beneficiar do dólar mais fraco e das perspectivas de corte de juros nos EUA.

Com a cotação atual, o dólar acumula queda de cerca de 6% no mês e mais de 8% no ano. Se a tendência se mantiver, o câmbio pode encerrar 2025 abaixo da marca simbólica de R$ 5, um patamar não visto desde meados de 2022.

Em meio a um cenário global de desaceleração controlada e mudanças de postura dos bancos centrais, o real desponta como uma das moedas emergentes mais fortes do ano. A manutenção dessa trajetória dependerá, contudo, de um equilíbrio delicado entre responsabilidade fiscal, estabilidade institucional e ambiente externo favorável.