
A Dívida Bruta do Governo Geral encerrou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando cerca de R$ 10 trilhões, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Banco Central do Brasil no relatório Estatísticas Fiscais. O resultado representa uma alta de 2,4 pontos percentuais do PIB na comparação com 2024 e reforça a trajetória de pressão sobre as contas públicas.
Segundo a autoridade monetária, a evolução da dívida ao longo do ano refletiu principalmente a incorporação de juros nominais, que adicionou 8,9 pontos percentuais ao indicador. Também contribuíram o reconhecimento de dívidas (0,2 p.p.). Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo crescimento do PIB nominal, que retirou 5,7 pontos percentuais da relação dívida/PIB, além do impacto da valorização cambial (-0,5 p.p.), das emissões líquidas de dívida (-0,3 p.p.) e de outros ajustes da dívida externa (-0,2 p.p.).
No recorte mensal, dezembro apresentou uma leve melhora. A relação Dívida Bruta do Governo Geral/PIB recuou 0,3 ponto percentual, influenciada sobretudo pelos resgates líquidos de dívida (-0,7 p.p.) e pelo efeito positivo do PIB nominal (-0,5 p.p.), que superaram a apropriação de juros no período (0,8 p.p.).
Já a Dívida Líquida do Setor Público alcançou 65,3% do PIB em 2025, o equivalente a R$ 8,3 trilhões. O indicador avançou 4 pontos percentuais no ano, impulsionado principalmente pelos juros nominais apropriados, que adicionaram 7,9 pontos percentuais, e pelo efeito da valorização cambial acumulada de 11,1%, responsável por um impacto adicional de 1,3 ponto percentual. O déficit primário também contribuiu para a elevação (0,4 p.p.), enquanto a variação do PIB nominal ajudou a conter o avanço (-4,6 p.p.).
Em dezembro, a dívida líquida subiu 0,1 ponto percentual do PIB, refletindo a apropriação de juros (1,0 p.p.), parcialmente compensada pela desvalorização cambial no mês (-0,3 p.p.), pela variação do PIB nominal (-0,4 p.p.) e por ajustes da dívida externa líquida (-0,1 p.p.).
No resultado fiscal, o setor público consolidado que reúne União, estados, municípios e empresas estatais registrou em 2025 um déficit primário de R$ 55 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB. Trata-se do maior déficit desde 2023. No detalhamento, o governo central apresentou déficit de R$ 58,7 bilhões, as estatais tiveram resultado negativo de R$ 5,9 bilhões, enquanto estados e municípios fecharam o ano com superávit de R$ 9,5 bilhões.
Em dezembro, o quadro foi diferente: o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 6,3 bilhões, com saldo positivo no governo central (R$ 21,6 bilhões) e nas estatais (R$ 4,5 bilhões), que compensaram o déficit de R$ 19,8 bilhões dos governos regionais.
