
A divulgação do novo indicador de desemprego Brasil 5,4% trouxe um marco histórico ao confirmar que a taxa de desocupação atingiu o menor nível desde o início da série do IBGE. O dado se refere ao trimestre encerrado em outubro e aponta também o menor número absoluto de desempregados já registrado. Embora o resultado confirme a força do mercado de trabalho, economistas afirmam que há sinais de moderação no ciclo, indicando que o auge da expansão pode estar próximo de um ponto de inflexão. Portanto, o cenário combina recorde estatístico com perspectivas de desaceleração gradual.
Os números da Pnad Contínua vieram ligeiramente melhores que a expectativa da pesquisa da Reuters, que projetava taxa de 5,5%. Nos três meses anteriores, até julho, o indicador estava em 5,6%, enquanto no mesmo período de 2024 marcava 6,2%. Além disso, o recuo ante o trimestre encerrado em setembro, que havia registrado a então mínima de 5,6%, reforça a continuidade da tendência positiva. Portanto, a nova leitura consolida uma trajetória de queda consistente ao longo de 2025.
A renda média real também atingiu patamar recorde, chegando a R$ 3.528 no trimestre. O avanço foi de 0,8% em relação ao trimestre até julho e de 3,9% na comparação anual. Essa melhora contribui diretamente para sustentar a atividade econômica, já que amplia o consumo das famílias. Entretanto, economistas alertam que a renda mais elevada também pressiona a inflação, dificultando a estratégia do Banco Central para trazer o índice de preços à meta contínua de 3%. Portanto, o cenário combina ganhos salariais relevantes com desafios macroeconômicos.
O número de desempregados caiu para 5,910 milhões, o menor nível da série. Isso representa queda de 3,4% em relação ao trimestre anterior e de 11,8% ante o mesmo período do ano passado. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o elevado contingente de pessoas ocupadas tem reduzido a pressão por busca de trabalho, contribuindo para a queda da taxa. Além disso, a formalização do emprego manteve ritmo positivo, favorecendo estabilidade no mercado. Portanto, o resultado dialoga com um ambiente de maior renda e maior participação no mercado.
O total de ocupados alcançou 102,555 milhões de pessoas, também um recorde. O avanço foi de 0,1% em relação ao trimestre anterior e de 0,9% em um ano. Entretanto, Leonardo Costa, economista do ASA, chamou atenção para um ponto relevante: esta foi a terceira queda consecutiva da população ocupada na série ajustada sazonalmente. Para ele, esse comportamento indica que o mercado começa a refletir de forma lenta, mas consistente, a desaceleração da atividade econômica. Portanto, mesmo com o desemprego Brasil 5,4% em mínima histórica, o movimento estrutural aponta para uma possível estabilização futura.
O emprego com carteira assinada no setor privado segue como um dos pilares da expansão. O número de trabalhadores formais chegou a 39,182 milhões, alta de 0,2% ante o trimestre até julho e novo recorde. Já o contingente sem carteira cresceu 1,0%, chegando a 13,605 milhões. Esses dados mostram que a formalização avança de forma gradual, embora ainda coexistam tendências distintas entre setores. Além disso, a informalidade continua desempenhando papel importante em regiões com menor dinamismo econômico. Portanto, o comportamento heterogêneo do emprego segue como característica estrutural do país.
Os resultados do Caged divulgados na véspera também influenciaram a leitura geral. A criação de 85.147 vagas formais em outubro foi o pior saldo do mês na série do Novo Caged e ficou abaixo das projeções. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, afirmou que esses números reforçam sinais de desaceleração no mercado de trabalho, especialmente no emprego formal. Entretanto, ela pontuou que o movimento não indica retração imediata, mas sim uma transição natural após um ciclo de forte recuperação. Portanto, o ambiente ainda é positivo, embora menos expansivo.
A política monetária permanece como um dos fatores de maior impacto no comportamento do mercado de trabalho. O Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano, o nível mais alto em duas décadas. A estratégia busca conter pressões inflacionárias e garantir convergência à meta. Entretanto, juros elevados tendem a reduzir ritmo de investimentos e, consequentemente, a geração de novos postos de trabalho. Portanto, a desaceleração observada coincide com o efeito esperado de uma política contracionista prolongada.
A leitura do desemprego Brasil 5,4% mantém o país em um dos níveis mais baixos já registrados internacionalmente entre economias emergentes. Essa posição fortalece a percepção de resiliência do mercado brasileiro, que passou por um ciclo intenso de recuperação pós-pandemia. Entretanto, especialistas afirmam que alcançar uma taxa tão baixa representa um nível próximo ao “desemprego estrutural”, no qual novas reduções se tornam mais lentas. Portanto, é esperado que as próximas leituras variem pouco e possam até registrar leve alta.
