
Sebastien Lecornu ficou apenas 14 horas no cargo, diante de forte rejeição parlamentar; oposição pede renúncia de Macron ou novas eleições
A França mergulhou ainda mais fundo em sua crise política nesta segunda-feira (6), após o novo primeiro-ministro Sebastien Lecornu renunciar apenas 14 horas após assumir o cargo. A renúncia histórica a mais breve de um primeiro-ministro na história moderna do país ocorreu poucas horas após a divulgação da composição do novo gabinete, que foi mal recebida tanto pela oposição quanto por aliados no Parlamento.
Lecornu afirmou em pronunciamento oficial que “não há como governar um país onde o Parlamento já se organiza para nos derrubar antes mesmo do primeiro dia útil”. A decisão imediata gerou repercussão intensa na cena política e no mercado financeiro, provocando a queda do euro e uma retração das ações nas bolsas europeias.
Instabilidade no governo Macron
Lecornu foi o quinto primeiro-ministro nomeado por Emmanuel Macron em apenas dois anos, reflexo do enfraquecimento político do presidente desde sua reeleição em 2022. Desde então, o governo francês sofre com um Parlamento altamente fragmentado, sem maioria absoluta, o que tem paralisado votações importantes e impedido reformas estruturais.
A decisão de Macron de convocar eleições legislativas antecipadas no ano passado, na tentativa de consolidar apoio, saiu pela culatra. O resultado foi um Parlamento ainda mais dividido, ampliando a crise de governabilidade. A oposição de esquerda, direita e extrema-direita tem se revezado em barrar qualquer tentativa do Executivo de avançar com sua agenda.
Pressão por renúncia ou novas eleições
A renúncia de Lecornu reacendeu pressões sobre o próprio Macron. Líderes da oposição exigem que o presidente renuncie ou convoque novas eleições parlamentares, como saída legítima diante da evidente falta de governabilidade.
Embora Macron tenha descartado repetidamente essas opções nos últimos meses, analistas políticos consideram que ele está cada vez mais isolado. Uma imagem exibida pela emissora BFM TV, com Macron caminhando solitário às margens do rio Sena, viralizou nas redes sociais como símbolo desse momento de fragilidade política.
Apesar de seu mandato presidencial se estender até maio de 2027, o enfraquecimento institucional pode forçá-lo a reavaliar sua estratégia para manter a estabilidade da segunda maior economia da zona do euro.
Contexto econômico agrava o cenário
A crise política francesa ocorre em meio a desafios econômicos intensos, com dívida pública em alta, pressão inflacionária e crescimento estagnado. O impasse legislativo impede a aprovação de medidas de ajuste fiscal e investimentos estratégicos, comprometendo a recuperação econômica do país.
Especialistas apontam que a saída precoce de Lecornu piora a percepção internacional da estabilidade política da França, o que pode afetar diretamente decisões de investimento estrangeiro e relações com outros países da União Europeia.
Próximos passos
Ainda não há nome anunciado para substituir Lecornu. O Palácio do Eliseu não se manifestou até o momento. Restam três caminhos principais para Macron:
- Indicar um novo primeiro-ministro, com o risco de enfrentar nova rejeição parlamentar;
- Convocar eleições legislativas antecipadas, o que pode resultar em uma composição ainda mais desfavorável;
- Renunciar, opção que ele já rechaçou, mas que começa a ganhar apoio popular em meio à crise.
Enquanto a incerteza política se aprofunda, cresce a tensão dentro do governo francês e o clamor social por estabilidade e representatividade.
