
O crédito indústria 4.0 Brasil ganhou um impulso inédito nesta segunda-feira (25). O governo federal anunciou um pacote de R$ 12 bilhões para financiar a modernização do parque industrial brasileiro, voltado à digitalização do maquinário, ao uso de inteligência artificial e ao fortalecimento da produtividade. A iniciativa é vista como essencial para que o setor mantenha competitividade em um cenário global cada vez mais exigente.
Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o estímulo busca acelerar a renovação tecnológica. “Ao invés de depreciar a compra de máquinas em 15 anos, é preciso depreciar em dois. Esse é um forte incentivo à renovação industrial”, destacou. O crédito será viabilizado por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por R$ 10 bilhões, e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que entra com R$ 2 bilhões.
A medida atende a um anseio antigo do setor produtivo. De acordo com Alckmin, o acesso facilitado a financiamento permitirá às empresas reduzir custos, ganhar eficiência energética e competir de forma mais justa tanto no mercado interno quanto externo. Ele frisou que a ideia vinha sendo planejada desde 2024 e não tem relação direta com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que aumentou em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros.
Aloísio Mercadante, presidente do BNDES, reforçou a importância do investimento. Para ele, o programa representa um marco de inovação e crescimento. “O motor do crescimento é o investimento. E o investimento precisa de inovação. Estamos oferecendo recursos a juros de 7,5%, com prazos longos e carência, algo competitivo em qualquer economia do mundo”, disse.
Além de modernizar a base produtiva, o crédito deve abrir portas para o Brasil explorar novos mercados. Mercadante citou possibilidades de acordos comerciais com México, Canadá, Índia e Nigéria, além da diversificação de destinos de exportação. Ele ressaltou que os recursos não se limitam às empresas prejudicadas pelo tarifaço, mas contemplam todas as companhias que desejem adotar tecnologias digitais e de inteligência artificial.
A indústria 4.0 é considerada peça-chave para o futuro econômico do Brasil. O conceito envolve automação, uso intensivo de dados e integração de processos produtivos inteligentes. Em países como Alemanha, Japão e Coreia do Sul, esse movimento já transformou setores estratégicos, aumentando a eficiência e reduzindo impactos ambientais.
No Brasil, especialistas afirmam que a defasagem tecnológica ainda é grande, e programas de crédito podem ser a chave para reduzir o atraso. Além da produtividade, há expectativa de geração de empregos qualificados, maior competitividade internacional e um salto em inovação.
Enquanto o setor industrial recebe o anúncio com otimismo, analistas destacam que o sucesso da medida dependerá da capacidade das empresas de acessar o crédito, superar burocracias e aplicar os recursos em transformação real, e não apenas em substituição pontual de máquinas.
O lançamento marca mais um capítulo da tentativa do governo de posicionar o Brasil como protagonista em inovação. A aposta na indústria 4.0 é vista como caminho para enfrentar desafios externos, conquistar novos mercados e fortalecer a soberania econômica nacional.
