
As concessões florestais vêm se consolidando no Brasil como uma alternativa eficaz para unir desenvolvimento econômico à preservação ambiental. O recente avanço da concessão da Floresta Nacional (Flona) de Jatuarana, no sul do Amazonas, reforça essa tendência. Com 453 mil hectares distribuídos em quatro unidades de manejo, a totalidade da área foi arrematada no mais recente leilão promovido pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Esse modelo de exploração sustentável da floresta pública permite a utilização de recursos naturais sob rígido controle técnico e ambiental, promovendo a conservação do bioma amazônico ao mesmo tempo que fomenta cadeias produtivas locais. Ao contrário do desmatamento predatório, a concessão florestal baseia-se no manejo sustentável da madeira, em práticas de extração de produtos não madeireiros e em atividades ecoturísticas com impacto reduzido.
No caso da Flona de Jatuarana, os vencedores da concessão assumem o compromisso de manejar os recursos de forma sustentável ao longo de 40 anos, gerando empregos, impulsionando a economia local e contribuindo para a proteção da floresta. Estima-se que essa concessão possa gerar mais de 900 empregos diretos e indiretos, além de fomentar pequenos negócios nas comunidades próximas.
Segundo o diretor do SFB, Pedro Neto, “o modelo de concessão florestal é um dos pilares da bioeconomia, pois permite transformar a floresta em ativo econômico sem destruí-la. É um instrumento que alia conservação ambiental com geração de renda, desenvolvimento regional e segurança jurídica”.
Desde que foi criado, o sistema de concessão florestal já destinou mais de 1,6 milhão de hectares à iniciativa privada com base em critérios técnicos e sociais rigorosos. As empresas concessionárias devem obedecer a planos de manejo aprovados pelos órgãos ambientais, garantir rastreabilidade dos produtos florestais e investir em monitoramento e tecnologia. Além disso, devem compartilhar benefícios com as comunidades tradicionais e povos indígenas presentes na área de influência.
A arrecadação gerada pelas concessões também retorna à sociedade. Uma parte dos valores pagos pelos concessionários é destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), que financia projetos de pesquisa, capacitação e estruturação da cadeia florestal. Outra parte vai para os municípios da área concedida, fortalecendo a economia regional.
Com a inclusão da Flona de Jatuarana no sistema de concessões, o Brasil reforça seu protagonismo em soluções de mercado para o combate ao desmatamento ilegal. Especialistas apontam que, em vez de travar o desenvolvimento da Amazônia, políticas como essa demonstram que é possível crescer com base na floresta em pé.
Além da extração sustentável de madeira, o modelo permite a exploração de produtos como castanhas, óleos vegetais, fibras naturais e outros recursos da biodiversidade, cada vez mais valorizados em mercados nacionais e internacionais. O movimento de empresas buscando certificações socioambientais e cadeias limpas tem impulsionado a demanda por matérias-primas com origem comprovadamente sustentável.
A expectativa do governo federal é ampliar a área concedida nos próximos anos, chegando a pelo menos 4 milhões de hectares até 2027. Novos editais estão em elaboração para florestas no Pará, Rondônia e Amapá, regiões que ainda enfrentam altas taxas de desmatamento, mas que possuem grande potencial para concessões responsáveis.
O avanço das concessões florestais também contribui com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris e na COP28. A meta de desmatamento zero até 2030 passa, necessariamente, por uma combinação entre fiscalização rígida, apoio às comunidades tradicionais e soluções econômicas viáveis como essa.
Por fim, o modelo fortalece a percepção de que a floresta pode ser um motor de progresso. Para os moradores das regiões amazônicas, a floresta não precisa mais ser um obstáculo ou um risco: ela pode ser a base de um novo modelo de desenvolvimento, mais justo, resiliente e alinhado à conservação da vida e dos recursos naturais.
A concessão da Jatuarana é símbolo desse novo tempo. E enquanto novos editais são preparados, a floresta mostra que seu maior valor não está em ser derrubada, mas em ser respeitada, cuidada e bem manejada.
