CNH sem autoescola muda regras e impacta formação de novos motoristas

CNH: medida entrará em vigor assim que for publicada no Diário Oficial ( Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
DA REDAÇÃO

A aprovação das novas diretrizes relacionadas à CNH sem autoescola representa uma das mudanças mais significativas já realizadas pelo Contran no processo de habilitação brasileiro. A decisão altera de forma direta a rotina de formação dos futuros condutores, e por isso vem provocando debates intensos entre especialistas, profissionais de trânsito e candidatos que aguardavam flexibilizações há anos. Desde o primeiro anúncio, ficou claro que a proposta reduziria custos, aumentaria a autonomia do cidadão e modificaria o papel das autoescolas, o que naturalmente causa reações diversas em um país onde o trânsito ainda registra altos índices de acidentes. Além disso, essa mudança abre espaço para uma revisão completa da forma como a sociedade compreende o processo de aprender a dirigir no Brasil.

Segundo o Contran, a nova regulamentação permite que o candidato faça todo o processo de preparação teórica e prática sem a necessidade de estar matriculado formalmente em uma autoescola. Ou seja, ele poderá optar por estudar por conta própria, contratar instrutores independentes credenciados ou combinar ambos os métodos. Essa liberdade amplia significativamente as possibilidades de formação, principalmente para quem deseja economizar ou para quem tem horários restritos e necessita de flexibilidade. Portanto, trata-se de uma mudança que afeta tanto a estrutura econômica do setor quanto o modelo tradicional de ensino para motoristas iniciantes.

A novidade mais comentada está na redução da carga horária obrigatória de aulas práticas. Antes, o candidato precisava cumprir um número mínimo de horas atrás do volante antes de fazer o exame. Agora, esse requisito sofre um corte expressivo, permitindo que a preparação seja ajustada às necessidades de cada pessoa. Há quem defenda que isso democratiza o acesso à CNH, já que o custo das aulas práticas sempre esteve entre os principais obstáculos. No entanto, críticos argumentam que menos prática pode resultar em motoristas menos preparados para situações reais. Portanto, mesmo que a mudança traga benefícios financeiros, ela exige responsabilidade redobrada por parte do candidato.

Outro ponto de grande impacto é a reconfiguração do mercado das autoescolas. Muitas delas precisarão adaptar seus serviços, oferecendo pacotes mais personalizados, aulas avulsas, consultorias e programas intensivos de preparação para a prova prática. A concorrência com instrutores independentes tende a aumentar, e isso pode gerar um mercado mais competitivo e com preços mais variados. Além disso, existe a possibilidade de surgirem novos modelos de negócios, como plataformas digitais de estudo, simuladores avançados e serviços de preparação híbrida. Essa transição poderá formar um setor mais moderno, mas também exigirá vigilância para evitar queda na qualidade do ensino.

Do ponto de vista da segurança viária, a medida divide opiniões. Especialistas lembram que a condução de veículos envolve habilidades complexas, como antecipar riscos, tomar decisões rápidas, entender a dinâmica do trânsito e respeitar a diversidade dos usuários da via. Ou seja, saber manobrar o carro não é suficiente. A formação adequada requer orientação sobre postura ética, convivência entre modais e interpretação correta das normas. Portanto, mesmo com a flexibilização, a preparação séria continua sendo essencial para reduzir acidentes. Essa preocupação reforça que a CNH sem autoescola não deve ser interpretada como um convite ao improviso, mas como uma opção que amplia a responsabilidade do candidato sobre seu aprendizado.

O Contran afirma que acompanhará os resultados ao longo dos próximos meses para entender os efeitos reais da mudança. Dessa forma, caso surjam indícios de aumento no número de reprovações ou de acidentes envolvendo recém-habilitados, ajustes adicionais podem ser feitos. No Congresso, já existem parlamentares discutindo a possibilidade de propor salvaguardas legislativas, como a definição de cargas mínimas de treinamento em situações de risco moderado. Portanto, o tema permanece em constante debate.

Em relação ao candidato, o principal benefício imediato é financeiro. O processo de obtenção da CNH tornou-se caro ao longo dos últimos anos, e muitas famílias encontravam dificuldades para custear todas as etapas. A flexibilização reduz despesas, amplia o acesso e facilita a entrada de jovens no mercado de trabalho que exige carteira de motorista. No entanto, instrutores alertam que escolher treinar sem acompanhamento pode gerar reprovações sucessivas, aumentando o custo final. Portanto, a autonomia precisa vir acompanhada de planejamento.

A mudança deve estimular também o crescimento de plataformas digitais. Cursos teóricos online, aplicativos de estudo, videoaulas e simuladores podem se tornar aliados importantes na formação dos condutores. Além disso, a tecnologia poderá oferecer relatórios de desempenho, testes práticos gamificados e análises de erros comuns, ajudando a preparar o candidato de forma mais completa. Essa tendência aproxima o Brasil de práticas já consolidadas em outros países, onde a autoescola não é obrigatória e a tecnologia tem papel central no processo de formação