Cientistas alertam para risco de apagão global em 2025

DA REDAÇÃO

O ano de 2025 pode ser marcado por um dos eventos mais impactantes da era digital: um possível apagão em escala global. Cientistas e instituições internacionais têm emitido alertas sobre a intensificação das tempestades solares, fenômenos naturais que, segundo projeções recentes, podem atingir níveis extremos até o fim deste ano e comprometer o funcionamento de sistemas elétricos, satélites e até a internet mundial.

As tempestades solares são desencadeadas por explosões na superfície do Sol, conhecidas como ejeções de massa coronal (EMC), que lançam nuvens de gás ionizado em alta temperatura em direção à Terra. Quando essas partículas atingem o campo magnético do planeta, podem provocar tempestades geomagnéticas com efeitos severos sobre a infraestrutura tecnológica global. Satélites, redes de comunicação, GPS, sistemas bancários e até transformadores de energia elétrica estão entre os equipamentos mais vulneráveis.

O alerta mais recente foi reforçado pelo professor Peter Becker, da Universidade George Mason, nos Estados Unidos. Em parceria com o Laboratório de Pesquisa Naval norte-americano, Becker lidera o desenvolvimento de um sistema de alerta precoce para prever eventos solares extremos. Segundo ele, a humanidade nunca enfrentou uma supertempestade solar em um momento de tamanha dependência da internet e de sistemas digitais.

“Essa é a primeira vez na história em que temos um pico da atividade solar coincidindo com uma civilização totalmente digital. A internet atingiu sua maturidade em um período solar calmo, e agora estamos caminhando para uma era mais ativa”, afirmou Becker.

O risco, embora ainda estimado como moderado, é considerado real. De acordo com estimativas, há cerca de 10% de chance de uma supertempestade ocorrer na próxima década. O perigo não se restringe à perda temporária de serviços. O verdadeiro impacto estaria no colapso prolongado de sistemas essenciais e na dificuldade de reparar os danos, que poderiam levar semanas ou até meses para serem solucionados.

A última tempestade solar de grande magnitude foi registrada em 1859, conhecida como Evento Carrington. Na época, as redes telegráficas sofreram colapsos em diversos países, e alguns operadores chegaram a relatar choques elétricos. Hoje, o cenário seria exponencialmente mais grave, com bilhões de pessoas conectadas a uma infraestrutura altamente dependente de eletricidade, dados e dispositivos sensíveis a variações eletromagnéticas.

Becker adverte que, caso uma nuvem de plasma solar atinja a Terra, o campo magnético do planeta agirá como escudo, mas a sobrecarga elétrica resultante pode ser conduzida até o solo e danificar equipamentos conectados à rede elétrica. “Todos os interruptores eletrônicos, servidores de dados e armários de controle espalhados em prédios e instituições poderiam ser danificados em cadeia”, alertou.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), em colaboração com outras agências internacionais, já acompanha o comportamento do Sol com atenção redobrada desde 2020, quando se iniciou o atual ciclo solar, que deve atingir seu pico em 2025. A quantidade de manchas solares, indicativo da atividade da estrela, tem superado as previsões iniciais, aumentando a probabilidade de ocorrências extremas.

A estrutura do ciclo solar é composta por três fases: o mínimo solar (de menor atividade), o máximo solar (com pico de tempestades solares) e a fase de declínio. Atualmente, o Sol está se aproximando de seu máximo, o que torna os próximos meses particularmente delicados. As ejeções de massa coronal podem ser previstas com alguma antecedência de dois a quatro dias, dependendo da velocidade das partículas. Contudo, esse tempo é curto para que governos, empresas e instituições tomem as medidas necessárias.

Entre as estratégias de mitigação em estudo, estão o desligamento de transformadores críticos, a blindagem de centros de dados e a ativação de protocolos emergenciais nos setores de telecomunicações, transporte e energia. O problema, segundo especialistas, é a falta de um plano de ação coordenado em nível global para lidar com esse tipo de ameaça.

Caso uma supertempestade se concretize, os efeitos mais imediatos seriam quedas de sinal de GPS, interrupções em telefonia, colapso de redes bancárias, instabilidade nos transportes aéreos e até o apagão de internet em larga escala. Em países com infraestrutura energética mais frágil, o cenário poderia evoluir para blecautes de dias ou semanas.

Governos como os dos Estados Unidos, Canadá, Japão e União Europeia já estão em alerta. No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) monitora a atividade solar por meio do Centro de Previsão de Tempo Espacial (CPTEC), que também tem emitido alertas regulares sobre tempestades geomagnéticas. A população, por sua vez, ainda está pouco informada sobre a possibilidade de eventos extremos.

“Se a previsão se concretizar, será um teste sem precedentes para a infraestrutura digital global. A sociedade moderna nunca passou por algo semelhante”, disse Becker, que defende investimentos urgentes em tecnologias de blindagem magnética e estratégias de resposta rápida.

A recomendação dos cientistas é clara: enquanto a ciência trabalha para prever o fenômeno com maior precisão, governos e empresas devem agir preventivamente, reforçando a segurança de seus sistemas e preparando planos de contingência. Um apagão global pode parecer improvável, mas diante da imprevisibilidade solar, é melhor estar preparado do que ser surpreendido.