
O Rio Grande do Sul volta a enfrentar uma crise climática. Fortes chuvas atingem 86 municípios do estado, deixando 2.977 pessoas fora de casa, conforme dados atualizados pela Defesa Civil nesta semana. O impacto é devastador, com centenas de famílias desalojadas, mortes confirmadas e cidades parcialmente isoladas.
A atual emergência reforça a gravidade das mudanças climáticas na região Sul do país. As chuvas começaram a se intensificar na última segunda-feira (17), e, desde então, não cessaram, atingindo regiões já fragilizadas por outros eventos extremos em 2024.
De acordo com o boletim oficial, 984 pessoas estão em abrigos públicos improvisados por prefeituras e voluntários. Outras 1.993 se encontram desalojadas ou seja, precisaram sair de suas casas, mas estão em residências de parentes ou amigos.
Além dos danos materiais, o desastre natural já fez vítimas fatais. Pelo menos duas mortes foram confirmadas pelas autoridades. A primeira ocorreu na região de Santa Maria, e a segunda foi registrada no município de São Sebastião do Caí, onde um deslizamento de terra atingiu uma residência.
O governo estadual decretou situação de emergência em diversas cidades e coordena ações com o Exército e a Defesa Civil Nacional para atender as populações atingidas. Caminhões com mantimentos, barracas, colchonetes e kits de higiene já estão sendo enviados para os municípios mais afetados.
Entre os 86 municípios impactados, alguns apresentam interrupções em serviços básicos. Em cidades como Encantado, Roca Sales, Lajeado e Cruzeiro do Sul, há registros de falta de energia elétrica e água potável. Pontes e estradas também foram danificadas, dificultando o acesso de equipes de resgate e o escoamento da ajuda humanitária.
Na cidade de Arroio do Meio, a prefeitura informou que o nível do Rio Taquari subiu rapidamente, alagando áreas urbanas e zonas rurais. Escolas e unidades de saúde foram fechadas preventivamente, e parte da população está sendo evacuada com botes e caminhões do Corpo de Bombeiros.
Com a escalada do desastre, entidades civis, ONGs e igrejas iniciaram campanhas emergenciais de arrecadação de alimentos, roupas, cobertores e materiais de limpeza. O movimento de solidariedade se espalha por toda a região Sul e por redes sociais, com moradores de cidades vizinhas oferecendo ajuda a desconhecidos.
Segundo o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Luciano Boeira, os próximos dias exigirão vigilância redobrada. “Ainda há previsão de mais chuva para o fim de semana, o que pode agravar a situação de rios já acima do nível seguro”, afirmou em entrevista coletiva.
O episódio reforça um padrão alarmante: o Rio Grande do Sul tem sido palco de eventos climáticos extremos com frequência crescente. Em 2023 e 2024, o estado já havia enfrentado inundações severas, com prejuízos bilionários. Especialistas apontam o fenômeno El Niño, combinado com o aquecimento global, como responsável pelo volume anormal de chuvas.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado de chuvas em junho já supera a média histórica em mais de 80% em algumas cidades. Meteorologistas alertam que as instabilidades devem persistir nos próximos dias, elevando o risco de novas enchentes e deslizamentos de terra.
O governador Eduardo Leite declarou que todas as forças estão mobilizadas para atender a população. “Nosso foco agora é salvar vidas, proteger famílias e oferecer dignidade às pessoas que perderam tudo. Reforçamos o pedido para que a população siga as orientações da Defesa Civil e evacue áreas de risco imediatamente”, disse em pronunciamento.
O governo também anunciou que solicitará ao governo federal o reconhecimento de estado de calamidade pública para acelerar o envio de recursos e apoio logístico.
A situação no Rio Grande do Sul exige resposta rápida e coordenada. Com milhares de pessoas fora de suas casas e previsão de mais chuvas, o estado enfrenta um dos piores eventos climáticos do ano. A solidariedade, o planejamento estratégico e a eficiência na resposta emergencial serão cruciais nos próximos dias para reduzir os danos e preservar vidas.
Enquanto isso, autoridades continuam monitorando os níveis dos principais rios e reforçando as barreiras de contenção nos municípios em estado crítico. A população é orientada a acompanhar os boletins oficiais e buscar abrigo em locais seguros.
