
A China anunciou uma mudança significativa em sua política de vistos, estendendo a isenção de entrada a turistas do Brasil e de outras quatro nações latino-americanas: Argentina, Chile, Peru e Uruguai. A medida passa a valer a partir de 1º de junho de 2025 e permanecerá em vigor por um ano. O objetivo é intensificar os laços diplomáticos, culturais e comerciais entre o país asiático e a América Latina, especialmente com suas principais economias.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, durante uma coletiva de imprensa em Pequim. Segundo ele, a decisão “reflete a confiança mútua e o fortalecimento da parceria sino-latino-americana”. A medida coloca os países latino-americanos em pé de igualdade com várias nações da Europa e da Ásia, como Japão e Coreia do Sul, que já gozam da isenção para viagens de curta duração ao território chinês.
A iniciativa surge poucos dias após a realização de um fórum de alto nível em Pequim com autoridades da América Latina e do Caribe, no qual o presidente Xi Jinping prometeu ampliar a presença econômica da China na região por meio de uma nova linha de crédito de 9 bilhões de dólares e com promessas de investimento em projetos de infraestrutura. Esse gesto diplomático sinaliza uma estratégia mais profunda de aproximação com países em desenvolvimento, especialmente no hemisfério sul.
Para o Brasil, a medida representa uma conquista relevante no cenário internacional e um incentivo direto ao intercâmbio turístico e comercial. O Itamaraty celebrou o anúncio e afirmou que já trabalha para fortalecer o fluxo bilateral de visitantes e empresários. Estima-se que o número de turistas brasileiros na China possa dobrar com a nova política, que elimina o processo burocrático de solicitação de visto, reduz custos e facilita viagens espontâneas de negócios, estudos ou lazer.
Além do turismo, a isenção também poderá beneficiar setores estratégicos como educação, comércio, intercâmbio acadêmico e tecnológico. Universidades brasileiras já vislumbram novas oportunidades para convênios e programas de duplo diploma, dada a maior facilidade de mobilidade para estudantes e pesquisadores. Empresários que atuam com importação e exportação entre os dois países também poderão realizar mais viagens para negociações presenciais e feiras internacionais.
A decisão do governo chinês vem em um momento de tensão geopolítica em outras regiões do mundo, e evidencia uma tentativa de Xi Jinping de reforçar a influência de Pequim em áreas tradicionalmente ligadas a potências ocidentais. Para analistas internacionais, a medida não se limita ao aspecto turístico, mas representa uma jogada estratégica no tabuleiro global, especialmente diante da disputa comercial com os Estados Unidos e da crescente atuação da China no financiamento de projetos sul-americanos.
Ainda que temporária, com validade de 12 meses, a medida poderá ser prorrogada ou até mesmo tornar-se permanente, a depender dos resultados obtidos nesse período experimental. A China avalia periodicamente o impacto de suas políticas migratórias com base em indicadores econômicos, segurança e reciprocidade diplomática.
Segundo dados do Ministério do Turismo do Brasil, o fluxo turístico entre os dois países ainda é tímido, mas vem crescendo. Em 2024, cerca de 80 mil brasileiros visitaram a China, número que deve ser superado com folga em 2025. Além disso, o setor aéreo já se movimenta para aumentar a oferta de voos diretos e conexões para Pequim, Xangai e outras cidades chinesas.
Outro ponto positivo destacado por diplomatas é a sinalização da China sobre a valorização da América Latina em sua agenda internacional. Em contraste com políticas de imigração mais restritivas anunciadas por países como os Estados Unidos e a Argentina de Javier Milei, a abertura chinesa soa como uma alternativa amigável para países em desenvolvimento que buscam novas parcerias econômicas e comerciais.
Enquanto isso, o setor de turismo no Brasil também vê com bons olhos a medida, pois pode haver reciprocidade futura. Ainda não há confirmação se o governo brasileiro adotará política semelhante para visitantes chineses, mas o tema está sendo discutido em comitês bilaterais. Representantes do Ministério do Turismo já indicaram que um acordo mútuo pode favorecer a atração de investimentos no setor hoteleiro e a criação de novas rotas turísticas.
Essa flexibilização chinesa representa não apenas uma abertura econômica, mas um gesto de diplomacia cultural e aproximação entre povos. Em um momento global marcado por disputas, crises migratórias e endurecimento de fronteiras, a isenção de vistos é um sopro de cordialidade que pode, inclusive, estimular a construção de um novo eixo de cooperação sul-sul.
Caso os resultados da medida sejam positivos, outras nações da América Latina poderão ser beneficiadas futuramente com acordos semelhantes. Isso tornaria o continente um polo cada vez mais conectado com o mercado asiático, que representa hoje uma das maiores fontes de investimento e desenvolvimento tecnológico do mundo. O Brasil, ao ser incluído entre os primeiros países da região a receber tal concessão, reforça seu papel de protagonista nas relações sino-latino-americanas.
