China energia solar: recorde de produção, mas metas climáticas distantes

Adição de 212 gigawatts (GW) de capacidade solar foi a maior da história, dobrando a quantidade em relação ao ano passado e destacando o avanço do setor (Getty images/Getty Images)
DA REDAÇÃO

A China energia solar bateu um recorde histórico em 2025, consolidando-se como líder mundial na geração renovável. O avanço contribuiu para uma leve redução nas emissões de CO2, mas especialistas alertam que os resultados ainda não são suficientes para o cumprimento das metas climáticas estipuladas para 2030.

De acordo com relatórios oficiais, a expansão da capacidade instalada de energia solar foi responsável por evitar milhões de toneladas de dióxido de carbono. Além disso, novas usinas em províncias como Xinjiang, Gansu e Mongólia Interior impulsionaram a diversificação da matriz energética chinesa.

No entanto, apesar do marco positivo, as metas climáticas permanecem longe de serem atingidas. A economia chinesa, fortemente dependente do carvão, continua emitindo volumes significativos de gases de efeito estufa. O uso do carvão, que responde por mais de 55% da matriz, ainda compromete o ritmo da transição energética.

O desafio de 2030

A China se comprometeu, no Acordo de Paris, a atingir o pico de emissões de CO2 até 2030 e a alcançar neutralidade de carbono até 2060. Entretanto, analistas afirmam que, sem uma revisão ambiciosa das políticas atuais, a meta intermediária dificilmente será cumprida.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), mesmo com investimentos recordes em renováveis, o país precisa acelerar a substituição de termelétricas a carvão por alternativas limpas e investir em tecnologias de armazenamento de energia.

Impactos globais

O desempenho da China é crucial para o sucesso dos esforços climáticos mundiais. Como maior emissor global de gases de efeito estufa, qualquer atraso no cumprimento de suas metas pode comprometer os compromissos da ONU para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Ainda assim, o crescimento da energia solar chinesa abre caminho para preços mais acessíveis de painéis fotovoltaicos no mercado internacional, beneficiando países em desenvolvimento que buscam acelerar sua própria transição energética.

Caminhos possíveis

Especialistas defendem que Pequim deve ampliar incentivos para energias renováveis, ao mesmo tempo em que desativa progressivamente minas e termelétricas de carvão. A eletrificação do transporte, a modernização da indústria e a captura de carbono também são pontos estratégicos que podem ajudar a reduzir a distância em relação às metas.

Enquanto isso, a mensagem é clara: a China energia solar já é uma potência mundial, mas só esse avanço não basta. O desafio climático exige uma transformação estrutural que vá além dos recordes de produção, envolvendo decisões políticas e compromissos firmes com a sustentabilidade global.