China avança na corrida pelo ‘Sol Artificial’ com tecnologia própria

DA REDAÇÃO

A China intensifica seus esforços para dominar a tecnologia de fusão nuclear, conhecida popularmente como o desenvolvimento do “Sol Artificial”. Esse avanço, fruto de investimentos maciços em pesquisa, infraestrutura e indústria nacional, coloca o país em posição de destaque na corrida global pela energia limpa e praticamente ilimitada. Empresas privadas chinesas, em parceria com institutos de pesquisa estatais, estão liderando projetos inovadores que desafiam a supremacia tecnológica dos Estados Unidos e de outras potências no setor.

O “Sol Artificial” é um reator de fusão nuclear projetado para reproduzir, na Terra, o processo que ocorre no núcleo das estrelas, onde núcleos atômicos se fundem liberando quantidades gigantescas de energia. Diferente da fissão nuclear usada em usinas convencionais, a fusão promete gerar energia limpa, segura e com baixíssimo impacto ambiental, sem produzir resíduos radioativos de longa duração.

Nos últimos anos, a China tem registrado avanços notáveis no controle do plasma de alta temperatura, etapa crucial para viabilizar a fusão de forma estável e contínua. O reator experimental EAST (Experimental Advanced Superconducting Tokamak) atingiu recordes mundiais de confinamento de plasma a temperaturas acima de 100 milhões de graus Celsius, patamar essencial para reproduzir as reações nucleares do Sol.

Agora, a novidade é que empresas privadas chinesas estão desenvolvendo tecnologias próprias, com capacidade de reduzir custos e acelerar a construção de reatores em escala industrial. Esse movimento reforça a meta do país de produzir energia de fusão comercialmente viável até meados da década de 2030, superando o ritmo de desenvolvimento dos Estados Unidos, Europa e Japão.

A corrida pelo “Sol Artificial” é estratégica. A fusão nuclear é considerada a “fonte de energia definitiva”, capaz de substituir combustíveis fósseis e transformar radicalmente a matriz energética global. O país que dominar a tecnologia primeiro terá não apenas uma vantagem ambiental, mas também geopolítica e econômica, já que poderá exportar a tecnologia e definir novos padrões energéticos globais.

Além de investir em laboratórios de ponta, a China tem criado incentivos para startups e empresas de tecnologia energética, permitindo que o setor privado participe ativamente da pesquisa e desenvolvimento. Isso contrasta com o modelo de países ocidentais, onde os projetos de fusão ainda são majoritariamente conduzidos por consórcios internacionais e instituições públicas, como o ITER, na França.

Analistas afirmam que o avanço chinês é fruto de uma estratégia nacional de longo prazo, que inclui formação de mão de obra especializada, transferência de tecnologia e ampliação da capacidade industrial. “A fusão nuclear é um dos pilares da soberania energética do futuro. A China está consciente de que dominar essa tecnologia significa também liderar a economia global nas próximas décadas”, explica o físico nuclear Li Wei, em entrevista a veículos locais.

O embate tecnológico entre China e Estados Unidos deve se intensificar. Enquanto os EUA contam com empresas como Helion Energy e Commonwealth Fusion Systems, a China aposta em um modelo híbrido de cooperação entre governo e setor privado, garantindo financiamento, infraestrutura e apoio regulatório. Se atingir primeiro a fusão comercialmente viável, a China poderá assumir protagonismo global na transição para energias limpas.

Especialistas, no entanto, lembram que a tecnologia ainda enfrenta enormes desafios científicos e de engenharia. Manter o plasma estável por longos períodos e criar materiais capazes de suportar condições extremas são obstáculos ainda não superados. Mesmo assim, a expectativa é que a primeira usina de fusão nuclear funcional possa surgir nas próximas duas décadas, redefinindo o mercado global de energia.

O avanço chinês também gera debates sobre segurança, propriedade intelectual e possível uso militar da tecnologia. Embora a fusão não seja viável para a produção de armas nucleares de forma direta, o domínio desse conhecimento reforça o poder científico e tecnológico do país no cenário geopolítico.

Se a China conseguir atingir suas metas, o “Sol Artificial” poderá se tornar um divisor de águas na luta contra as mudanças climáticas, oferecendo energia limpa, abundante e praticamente inesgotável, marcando o início de uma nova era para a humanidade.