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A China acusou o governo dos Estados Unidos de estar envolvido no roubo de 127 mil bitcoins, equivalentes a cerca de R$ 68 bilhões, em um caso que reacende as tensões entre as duas maiores potências econômicas do mundo desta vez, no campo das criptomoedas. A frase-chave é “China acusa EUA”.
Segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira (10) por autoridades do Ministério da Segurança do Estado da China, o governo norte-americano teria “tomado posse ilegal” dos ativos digitais após rastrear fundos de uma operação cibernética chinesa em 2022. O episódio teria ligação com a apreensão de criptomoedas realizada pelo Departamento de Justiça dos EUA naquele mesmo ano, em uma investigação sobre crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro.
“Os Estados Unidos agiram unilateralmente, confiscando recursos digitais de cidadãos chineses sob o pretexto de combater atividades ilícitas. Trata-se de uma violação flagrante da soberania financeira da China”, afirmou o porta-voz do ministério, Zhao Lijian, em coletiva transmitida pela televisão estatal CCTV.
O caso dos 127 mil bitcoins
As acusações chinesas giram em torno do episódio conhecido como “Bitfinex Hack”, de 2016, quando hackers roubaram 119.756 bitcoins da corretora homônima. Em 2022, autoridades dos EUA apreenderam os ativos, estimados na época em US$ 3,6 bilhões, ao prender o casal Ilya Lichtenstein e Heather Morgan, acusados de lavar os fundos por meio de carteiras digitais.
Pequim, no entanto, sustenta que parte dos bitcoins apreendidos pertencia a cidadãos e empresas chinesas que utilizavam plataformas asiáticas para transações legítimas. O governo chinês afirma que o Departamento de Justiça norte-americano “nunca comprovou a propriedade integral dos fundos” e acusa Washington de ter incorporado os ativos ao Tesouro norte-americano sem autorização judicial internacional.
Guerra digital e desconfiança geopolítica
O episódio amplia a disputa tecnológica e financeira entre EUA e China, que já se enfrentam em frentes como semicondutores, 5G e inteligência artificial. A recente acusação se soma às críticas de Pequim sobre o domínio americano na infraestrutura global de criptomoedas, especialmente por meio de exchanges e plataformas sediadas nos Estados Unidos.
“O controle das transações digitais é a nova fronteira do poder econômico global. A apreensão de bitcoins, quando feita sem coordenação internacional, é vista por Pequim como um ato de guerra digital”, explicou o analista financeiro Chen Hao, da Universidade de Pequim.
Em resposta, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Margaret Singh, negou qualquer irregularidade e afirmou que os bens apreendidos “foram obtidos em operações legítimas contra atividades criminosas de lavagem de dinheiro”. Singh classificou as acusações chinesas como “infundadas e politicamente motivadas”.
Impactos no mercado cripto
Após a divulgação das denúncias, o bitcoin caiu 2,4%, negociado a cerca de US$ 66 mil, refletindo a apreensão dos investidores diante da tensão diplomática. Analistas avaliam que o episódio pode pressionar ainda mais os mercados digitais e influenciar futuras regulações internacionais.
Segundo Joseph Wang, especialista em criptopolítica internacional, “essa disputa mostra que os Estados já veem os ativos digitais como ferramentas estratégicas, não apenas financeiras”.
O governo chinês também pediu que o caso seja levado ao Fórum de Cooperação de Xangai e à Organização das Nações Unidas, argumentando que a “apropriação ilegal de ativos digitais deve ser tratada com o mesmo rigor de crimes financeiros internacionais”.
Um histórico de desconfiança
Desde que a China baniu as transações com criptomoedas em 2021, o país tenta fortalecer sua própria moeda digital, o yuan digital (e-CNY), enquanto mantém críticas ao modelo de blockchain descentralizado considerado vulnerável à “hegemonia ocidental”.
O governo norte-americano, por outro lado, tem endurecido a fiscalização sobre plataformas cripto, com o Federal Reserve e a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) impondo novas exigências de transparência.
“Estamos diante de uma nova corrida tecnológica, e as criptomoedas são o palco onde essa disputa por soberania digital se intensifica”, afirmou Wang.
