
Depois de um 2025 histórico para o turismo internacional, o Brasil entra em 2026 consolidado como um dos destinos mais desejados do turismo de alto padrão. Esse movimento ganha força especial durante o Carnaval, período em que a presença estrangeira deixa de ser apenas complementar e passa a ocupar papel central na hotelaria de luxo, tanto em volume quanto em geração de receita.
Os números confirmam a mudança de patamar. Em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, hotéis icônicos registram ocupação elevada durante a folia, com estrangeiros representando até 50% dos hóspedes em alguns dos principais endereços do luxo brasileiro. O Carnaval deixa de ser apenas uma grande festa popular e se consolida como produto turístico premium, disputado por viajantes de alto poder aquisitivo.
Copacabana Palace e a nova geografia dos hóspedes internacionais
No Copacabana Palace, símbolo histórico da hotelaria de luxo no país, o impacto desse novo ciclo internacional é perceptível mesmo em um ano atípico. Em 2026, o hotel opera com inventário reduzido, cerca de 140 apartamentos, em razão de obras em andamento, o que limita comparações diretas com períodos anteriores. Ainda assim, o ritmo de reservas para o Carnaval é considerado robusto.
Em 2025, o Brasil ainda liderava o ranking de nacionalidades entre os hóspedes, seguido por Estados Unidos e Reino Unido. Para fevereiro de 2026, no entanto, o hotel observou uma inflexão relevante, com crescimento expressivo de mercados como Rússia, Portugal, Índia e China. O movimento sinaliza uma diversificação do público internacional e a ampliação do alcance global do Carnaval brasileiro.
O mercado chinês, em particular, tem se destacado. Além do interesse pelo Desfile das Campeãs, muitos viajantes estendem a estadia para outros destinos emblemáticos do país, como as Cataratas do Iguaçu, reforçando a lógica de viagens integradas e experiências exclusivas.
Mesmo com menos quartos disponíveis, a estratégia de “menos volume, mais valor” já havia se mostrado eficaz em 2025. Naquele ano, apesar da redução no número de apartamentos ocupados após o início das obras, a receita de hospedagem superou expectativas, impulsionada por uma diária média acima do projetado.
Grupo Fasano confirma protagonismo estrangeiro
No Grupo Fasano, o Carnaval de 2026 também confirma o avanço consistente da demanda internacional. Durante a folia, os hotéis do grupo registram 50% de ocupação composta por estrangeiros no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Salvador, esse percentual gira em torno de 30%, número considerado elevado para o destino.
Segundo o grupo, trata-se de um cenário em evolução contínua, com crescimento sustentado ano a ano. As nacionalidades mais presentes incluem Estados Unidos, Portugal, Itália, França e Alemanha, reforçando a força do público europeu e norte-americano no turismo de luxo brasileiro.
Executivos do setor destacam que o Carnaval passou a ser visto internacionalmente não apenas como um evento cultural, mas como uma experiência premium, que combina hospitalidade de alto nível, gastronomia sofisticada, acesso exclusivo a camarotes e desfiles, além de roteiros personalizados.
Carnaval como ativo estratégico do turismo brasileiro
A consolidação do Brasil na rota do turismo de luxo durante o Carnaval reflete uma transformação estrutural. O país passa a competir com destinos tradicionais do alto padrão global ao oferecer um produto singular, que une cultura, entretenimento, hospitalidade e exclusividade.
Especialistas avaliam que a presença crescente de estrangeiros de alto poder aquisitivo amplia a geração de receita, reduz a sazonalidade e fortalece a imagem do Brasil como destino sofisticado, além de impulsionar outros segmentos, como aviação, gastronomia, moda e experiências privadas.
Com hotéis operando próximos da capacidade máxima e diárias em patamares elevados, o Carnaval de 2026 se consolida como vitrine internacional do turismo brasileiro. Mais do que uma festa, a folia passa a ser um ativo estratégico, capaz de posicionar o país de forma definitiva no mapa global do turismo de luxo.
