Uma semana da captura de Maduro: o que aconteceu e os desdobramentos da crise

DA REDAÇÃO

Há uma semana as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma operação militar que transformou a política latino-americana e gerou repercussões globais, ao capturar o então presidente da Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em sua residência em Caracas, capital da Venezuela. O episódio desencadeou uma das maiores crises diplomáticas da região em décadas, marcando o fim do controle de Maduro sobre o governo venezuelano e iniciando uma sequência de eventos que ainda se desdobram na arena internacional.

A operação aconteceu na madrugada de 3 de janeiro de 2026 e foi precedida por meses de planejamento conjunto entre agências de inteligência e unidades militares norte-americanas, incluindo forças especiais de elite. Segundo relatos oficiais, o presidente Donald Trump anunciou que Maduro e Flores estavam sob custódia do governo dos EUA pouco depois de terem sido retirados de sua residência em Caracas e transportados para um navio militar no Caribe. 

As autoridades americanas justificaram a operação com acusações graves contra Maduro, incluindo envolvimento em tráfego de drogas e terrorismo, baseadas em processos criminais já apresentados no Distrito Sul de Nova York. A Justiça dos EUA vem oferecendo recompensas recordes por informações que levem à prisão do ex-líder venezuelano, chegando a US$ 50 milhões em 2025, antes da operação que culminou em sua captura. 

Após a prisão, Maduro e sua esposa foram levados a Nova York, onde passaram pelos procedimentos rotineiros de registro e detenção no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn. Em seguida, eles compareceram a uma audiência no tribunal federal de Manhattan, onde se declararam inocentes das acusações de narcotráfico e outros crimes. Nos autos, Maduro afirmou que ainda se considera “o presidente legítimo da Venezuela” e que sua detenção foi ilegal. 

A operação não foi isenta de violência. Relatos oficiais e fontes locais indicaram que houve combates e explosões durante a ação em Caracas, na qual várias dezenas de pessoas teriam sido mortas, incluindo membros da segurança venezuelana e aliados cubanos, segundo informações internacionais. Essas baixas elevaram ainda mais a tensão regional e internacional. 

Uma das consequências imediatas da captura foi a mudança na liderança política da Venezuela. A vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina pelo parlamento venezuelano, enquanto lideranças políticas tentam reorganizar o Estado em meio à maior crise institucional do país em anos. A continuidade da administração chavista se apresenta como um desafio diante da pressão interna e externa. 

A repercussão internacional foi intensa. Países como Brasil e França declararam sua preocupação com a soberania venezuelana e o respeito ao direito internacional, criticando a operação como uma violação dos princípios que regem as relações entre Estados. Por outro lado, líderes como o presidente Javier Milei celebraram a captura como um avanço para a liberdade e democracia. 

Um dos impactos práticos emergentes foi a libertação de presos políticos dentro da Venezuela, incluindo cidadãos estrangeiros detidos sob acusações ligadas ao regime chavista. A soltura de ativistas e opositores desde o evento foi apresentada pelo governo interino como um sinal de mudança e gesto de paz, embora organizações de direitos humanos tenham destacado que ainda existem centenas de detidos. 

Na arena diplomática, os Estados Unidos e a Venezuela começaram a dar passos hesitantes para retomar relações formais, incluindo a possível reabertura da embaixada americana em Caracas e o envio de delegações para discutir cooperação e reconstrução econômica. Apesar disso, a situação permanece instável, com tensões não apenas entre Caracas e Washington, mas também entre aliados regionais que veem a ação como uma intervenção militar direta. 

Além do cenário político e diplomático, a captura de Maduro também gerou impactos geoestratégicos mais amplos. A presença militar norte-americana prolongada na região, inclusive com a apreensão de navios ligados ao petróleo venezuelano, reforça o papel dos recursos energéticos como elemento central nas negociações e conflitos em curso. 

À medida que a crise completa uma semana, o futuro da Venezuela segue incerto. Ditadores capturados em solo estrangeiro e julgados sob a lei de outro país representam um precedente jurídico e geopolítico significativo, com potenciais consequências de longo prazo para a soberania estatal e as normativas internacionais sobre extradição e intervenção militar. O papel das Nações Unidas, de aliados regionais e de organismos multilaterais pode ser determinante para definir se um novo capítulo de diplomacia e reconstrução política será possível, ou se a crise continuará a se desdobrar em um cenário de confrontos e disputas de poder.