
As regiões do Agreste e do Sertão de Pernambuco estão enfrentando uma intensa onda de calor, com temperaturas acima de 36°C e umidade relativa do ar abaixo dos 20%, de acordo com alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). A frase-chave é “calor em Pernambuco”.
O fenômeno tem provocado desconforto térmico, aumento do risco de incêndios e impactos diretos na saúde da população, especialmente entre idosos, crianças e trabalhadores rurais.
Temperaturas elevadas e ar seco
No Agreste, as temperaturas têm chegado a 34°C, enquanto no Sertão, como em Petrolina e Dormentes, os termômetros superam 36°C durante o dia. A Apac emitiu, na sexta-feira (7), um alerta de baixa umidade válido até o dia 14, abrangendo o Sertão do Pajeú, do São Francisco e parte do Agreste.
O Inmet confirmou o alerta nesta segunda-feira (10), classificando 58 municípios pernambucanos na categoria “Perigo”, com índices de umidade entre 12% e 20% valores comparáveis aos de regiões semiáridas e até desérticas.
Municípios em alerta
Entre as cidades mais afetadas estão Petrolina, Salgueiro, Serra Talhada, Arcoverde, Ouricuri, Santa Maria da Boa Vista, Dormentes e Floresta, além de municípios do Pajeú e do São Francisco.
Essas localidades estão sob risco elevado de problemas respiratórios, desidratação e queimadas acidentais, conforme os órgãos de monitoramento climático.
“O ar extremamente seco reduz a capacidade de transpiração e evaporação, intensificando a sensação de calor e o desconforto físico”, explicou o meteorologista Tiago Rodrigues, do Inmet.
Riscos e recomendações
Com a umidade tão baixa, aumenta a probabilidade de incêndios em áreas rurais e vegetação nativa, especialmente devido ao uso inadequado do fogo em práticas agrícolas. Além disso, os médicos alertam para ressecamento da pele, irritação nos olhos e garganta e agravamento de doenças respiratórias.
O Inmet e a Apac orientam a população a:
- Beber bastante água, mesmo sem sentir sede.
- Evitar atividades físicas entre 10h e 17h.
- Usar hidratante corporal e labial.
- Umidificar os ambientes internos com panos úmidos ou bacias de água.
- Evitar queimadas e uso de fogo em áreas abertas.
“O ideal é que as pessoas fiquem em locais arejados, bebam líquidos com frequência e priorizem roupas leves e de cores claras”, destacou a Apac em nota.
Causas climáticas e perspectiva
Os meteorologistas explicam que a atual onda de calor está associada à presença de uma massa de ar quente e seco sobre o Nordeste, agravada pelos efeitos do El Niño e pelas mudanças climáticas globais.
Segundo o Inmet, a situação deve persistir até meados de novembro, com previsão de chuvas isoladas apenas após o dia 15. Mesmo assim, a tendência é de temperaturas acima da média para o período.
“Este é um dos períodos mais quentes do ano no semiárido nordestino, mas o agravamento recente mostra como os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes”, observou Rodrigues.
Comunidades rurais sofrem mais
A população do campo tem sentido fortemente os efeitos da seca. Em Dormentes e Lagoa Grande, criadores de gado relatam escassez de água e queda na produção de leite, enquanto agricultores enfrentam perdas em plantações de milho e feijão.
O governo estadual informou que acompanha a situação e deve reforçar ações de mitigação, como o abastecimento emergencial por caminhões-pipa e o apoio técnico a pequenos produtores rurais.
