Boulos novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, anuncia Lula

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que disputa a Prefeitura de São Paulo  (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Flickr)
DA REDAÇÃO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (20) a nomeação de Guilherme Boulos (PSOL-SP) como o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, reforçando o eixo político do governo e ampliando a interlocução com movimentos sociais e parlamentares de esquerda. A frase-chave “Boulos novo ministro” simboliza a consolidação de um movimento de aproximação entre o Planalto e setores progressistas que têm sido essenciais na sustentação política da base governista.

Nos últimos meses, Boulos vinha ampliando seu protagonismo em pautas sensíveis ao Palácio do Planalto, como a jornada de trabalho 6 por 1, a regulamentação do trabalho por aplicativo e as críticas à PEC da Blindagem, proposta que amplia o foro privilegiado e restringe ações da Justiça contra parlamentares. A nomeação é vista como uma tentativa de Lula de fortalecer o diálogo com a esquerda parlamentar e movimentos populares, num momento de pressão crescente no Congresso.

A Secretaria-Geral da Presidência tem papel estratégico no governo, responsável por coordenar políticas de participação social, articulação com movimentos populares e a gestão da comunicação direta com a sociedade civil. A pasta também é responsável pela Casa Civil e pelo diálogo com conselhos e entidades representativas, o que deve ampliar o alcance político de Boulos dentro do governo.

Fontes próximas ao Planalto afirmam que a escolha de Boulos foi pessoal de Lula, que destacou “a capacidade de diálogo e a fidelidade aos princípios democráticos” do deputado. O novo ministro substituirá Márcio Macêdo, que deverá ser deslocado para outra função no Executivo, possivelmente no Ministério da Educação.

Em seu discurso de posse, previsto para esta quarta-feira (22), Boulos deve reforçar temas ligados à participação social, habitação popular, sustentabilidade e combate à desigualdade áreas que marcaram sua trajetória política desde a fundação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

A nomeação tem repercussão imediata no cenário político. Líderes de partidos da base, como PT, PSB e PCdoB, celebraram a escolha como um “gesto de unidade”. Já parlamentares do Centrão e da oposição criticaram a decisão, alegando que Lula “radicaliza” ao incluir uma figura ligada a movimentos sociais no primeiro escalão.

Boulos, por sua vez, tem buscado um discurso de moderação. Em entrevistas recentes, afirmou que sua atuação no governo será pautada pelo diálogo e pela defesa de políticas públicas voltadas à maioria trabalhadora. “O Brasil precisa de um governo que ouça o povo e que se comprometa com justiça social”, declarou o agora ministro em suas redes sociais.

A nomeação também é lida como um passo importante na trajetória política de Boulos, que, nas eleições de 2024, abriu mão de disputar a Prefeitura de São Paulo em apoio a Marta Suplicy, então candidata da base aliada de Lula. O gesto foi interpretado como uma demonstração de lealdade e maturidade política, reforçando sua imagem como articulador da esquerda nacional.

Analistas avaliam que a presença de Boulos na Secretaria-Geral pode ajudar Lula a recompor pontes com movimentos sociais, especialmente após críticas sobre a lentidão em pautas como moradia, reforma urbana e direitos trabalhistas. A expectativa é que o novo ministro também lidere a retomada de programas participativos, como as conferências nacionais e os conselhos de políticas públicas, paralisados durante o governo anterior.

A entrada de Guilherme Boulos no governo marca um novo capítulo da relação entre o PT e o PSOL, historicamente marcada por divergências, mas que agora caminha para uma aliança estratégica em defesa de agendas sociais e democráticas.