Black Friday Brasil: por que a data segue imbatível no varejo nacional

Segundo projeções da Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce), a Black Friday de 2025 deve movimentar R$ 13,34 bilhões
DA REDAÇÃO

A Black Friday Brasil mantém há mais de uma década uma força praticamente inabalável no varejo nacional, apesar da proliferação de novas datas promocionais ao longo do ano. Mesmo com iniciativas como “Semana do Consumidor”, “Liquida Verão”, “payday”, 10/10, 11/11 e variações de “Black Week”, nenhuma delas conseguiu rivalizar com a potência da última sexta-feira de novembro — uma data que se tornou o maior fenômeno comercial do país, superando, em volume, até mesmo eventos tradicionais como Dia das Mães ou Natal.

A frase-chave Black Friday Brasil segue no centro desse movimento: é ela que traduz a magnitude da data, a confiança do consumidor e o planejamento agressivo das varejistas.

O fenômeno começou tímido há cerca de 15 anos, importado dos Estados Unidos, e enfrentando desconfiança inicial devido às famosas denúncias de “metade do dobro”. Mas o amadurecimento do mercado e dos consumidores transformou o evento em um marco absoluto — responsável, sozinho, por multiplicar por quatro as vendas de um fim de semana comum e movimentar bilhões em poucas horas.

As previsões para 2025 reforçam essa supremacia. De acordo com a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), a Black Friday Brasil deve movimentar R$ 13,34 bilhões, avanço de 14,7% frente ao desempenho de 2024. Já o tíquete médio estimado é de R$ 808,50, bem acima da média registrada no varejo digital nos demais meses do ano, que gira em torno de R$ 540.

Essa diferença ocorre porque o consumidor brasileiro passou a tratar a Black Friday não mais como uma compra por impulso, mas como uma estratégia antecipada de aquisição de bens de maior valor, especialmente eletrônicos, eletrodomésticos e produtos duráveis. Em outras palavras: o brasileiro espera novembro para realizar compras importantes — e isso alavanca a performance geral do varejo.

Por que a Black Friday Brasil segue imbatível

Mesmo com a explosão de novas datas promocionais, os principais executivos do varejo brasileiro, consultados pela Forbes, são unânimes: nenhuma delas dilui ou ameaça o protagonismo da Black Friday.

O Mercado Livre, por exemplo, registrou na Black Friday de 2024 seu maior volume de vendas diárias da história. A Shopee, que vem crescendo exponencialmente no país, vendeu 20 milhões de itens apenas no “esquenta” 11/11 deste ano, mas ainda assim reconhece que o pico absoluto do consumo acontece na última semana do mês. A Amazon, por sua vez, registrou crescimento superior a 70% no tráfego do site no 11/11, mas mantém seu planejamento mais robusto para o período da Black Friday.

O Magalu segue a mesma lógica e investe pesado em datas ao longo do ano — especialmente no payday e na Liquidação Fantástica de janeiro, segunda maior data da companhia, mas nem essas iniciativas chegam perto do impacto do evento de novembro.

O motivo dessa hegemonia é uma combinação de três fatores:

  1. Confiança o consumidor brasileiro passou a ver a Black Friday como uma data de descontos reais.
  2. Planejamento as pessoas aguardam o período para compras grandes e presentes de Natal.
  3. Investimento extremo do varejo centenas de milhões de reais são destinados à logística, cupons, campanhas e infraestrutura digital.

Esquentas, cupons e mega-operações: basta estratégia ou é preciso volume?

Para disputar os R$ 13 bilhões esperados, as varejistas investem cifras impressionantes.

  • Magalu: R$ 150 milhões em descontos e fretes no marketplace.
  • Mercado Livre: R$ 100 milhões apenas em cupons, dentro de um orçamento anual de R$ 34 bilhões em marketing, logística e tecnologia.
  • Amazon: expansão agressiva, chegando a 250 centros logísticos no país; redução temporária de taxas; FBA gratuito para 100 mil vendedores.
  • Shopee: foco em segmentação, comunicação multicanal e campanhas antecipadas.

Além disso, varejistas criam ambientes híbridos, com lives, cupons direcionados, ofertas relâmpago e programas de fidelidade integrados. A meta é clara: manter o consumidor em “estado de atenção” até o ápice da venda.

A sombra da “Black Fraude”

Com o sucesso da Black Friday Brasil, aumentam também as preocupações com promoções falsas e práticas desleais. Órgãos como o Procon intensificam a fiscalização de preços e maquiagem de ofertas, sobretudo porque a confiança tornou-se um fator central para manter o evento relevante.

Gustavo Pimenta, da Casas Bahia, resume bem:

“É muito mais vantajoso oferecer um desconto real, mesmo que menor, do que arriscar perder a confiança do cliente.”

Essa percepção reforça a maturidade do varejo brasileiro — e explica por que, mesmo com dezenas de datas promocionais, nenhuma ameaça o reinado de novembro.

Por que nenhuma outra data rivaliza com a Black Friday

A conclusão do setor é simples e direta: nenhum outro dia no calendário combina, ao mesmo tempo, confiança do consumidor, planejamento prévio, necessidade de compra natalina e esforço máximo de marketing e logística.

A Black Friday Brasil não é apenas uma data é uma operação de guerra comercial, com campanhas de 24 horas, celebridades, influenciadores, lives ininterruptas, cupons agressivos, fretes gratuitos e equipes inteiras operando em tempo real.