Berkshire Hathaway compra petroquímica por US$ 9,7 bilhões

DA REDAÇÃO

A Berkshire Hathaway, holding controlada por Warren Buffett, anunciou nesta quinta-feira (2) a compra da OxyChem, unidade petroquímica da Occidental Petroleum, por US$ 9,7 bilhões (R$ 51,6 bilhões). Este é o maior movimento de aquisição da empresa desde 2022, quando comprou a seguradora Allegheny Corporation por US$ 11,6 bilhões.

A Berkshire Hathaway compra a OxyChem com pagamento integral em dinheiro, dos quais US$ 6,5 bilhões serão destinados pela Occidental para redução de sua dívida, que cairá para menos de US$ 15 bilhões.

O acordo fortalece ainda mais os laços entre a Berkshire e a Occidental, já que Buffett detém atualmente 28,2% de participação acionária na petroleira. A OxyChem é especializada na produção de cloro e hidróxido de sódio, substâncias usadas amplamente em setores como tratamento de água e assistência médica. Mesmo com uma projeção de lucro reduzida entre US$ 800 milhões e US$ 900 milhões neste ano, a unidade representa um ativo estratégico no portfólio da Berkshire.

Transição de liderança na Berkshire

Um ponto que chamou a atenção no anúncio foi a ausência de qualquer menção direta a Warren Buffett, o que reforça os sinais de transição de comando na empresa. Buffett, que comanda a Berkshire desde 1970 e tem uma fortuna estimada em US$ 148,3 bilhões, confirmou em maio que Greg Abel assumirá o cargo de CEO. Abel, que hoje ocupa a vice-presidência, será responsável por liderar os próximos passos da holding, enquanto Buffett continuará como presidente do conselho.

A ausência de Buffett no anúncio fortalece a percepção de que a sucessão está sendo conduzida de forma gradual, porém firme. Segundo analistas do mercado, a transição busca preservar a confiança dos investidores, ao mesmo tempo em que abre espaço para uma nova geração de decisões estratégicas, com foco em ativos industriais e energia.

Histórico de investimento na Occidental

A relação entre Berkshire e Occidental vem se intensificando desde 2019, quando Buffett aportou US$ 10 bilhões para viabilizar a compra da Anadarko Petroleum pela Occidental. Em 2022, a Berkshire recebeu autorização para adquirir até 50% das ações da companhia, e vem ampliando sua participação desde então.

Apesar do fortalecimento dos laços, Buffett afirmou em 2024 que não há intenção de assumir o controle total da empresa, mas destacou que valoriza o investimento.

A Occidental, por sua vez, continua seu processo de desalavancagem após adquirir a CrownRock por US$ 10,8 bilhões, e prevê vender US$ 4 bilhões em ativos para fortalecer sua posição financeira.

OxyChem: desafio e oportunidade

Apesar do cenário desafiador no setor petroquímico, especialmente com excesso de oferta global, a OxyChem representa uma aposta estratégica da Berkshire. Especialistas afirmam que a unidade poderá ser aproveitada tanto para ganhos operacionais quanto para fortalecer cadeias industriais integradas a outros negócios do conglomerado.

A operação reforça a preferência de Buffett e agora de Abel por negócios com fluxo de caixa previsível, ativos reais e posicionamento competitivo de longo prazo. Ao comprar uma unidade que atua em áreas críticas como tratamento de água e saúde, a Berkshire se posiciona em setores de demanda estável e crescente.

O futuro da Berkshire após Buffett

Com Greg Abel à frente, o grupo sinaliza continuidade estratégica com ajustes de estilo. Abel já é considerado o herdeiro natural da filosofia de investimento de Buffett, que prioriza simplesidade operacional, geração de valor no longo prazo e empresas com fundamentos sólidos.

A aquisição da OxyChem, embora robusta, está longe do volume de grandes fusões corporativas. Ainda assim, analistas enxergam na operação um movimento importante para reafirmar a confiança do mercado na capacidade de renovação da Berkshire, mesmo após a eventual saída de seu lendário fundador.