Israel e Hamas assinam acordo de paz com libertação de reféns e retirada de tropas da Faixa de Gaza

DA REDAÇÃO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que Israel e o grupo Hamas assinaram um acordo de paz, dando início à primeira fase do tão esperado cessar-fogo na Faixa de Gaza. A confirmação foi feita por meio de suas redes sociais e posteriormente reforçada por autoridades do Catar, um dos países mediadores do processo.

A primeira fase do acordo prevê a libertação de todos os reféns ainda mantidos pelo Hamas desde o ataque de 7 de outubro de 2023, que marcou o início da guerra. Segundo o governo israelense, 48 pessoas ainda estão sob poder do grupo, sendo 20 com vida. O Hamas, por sua vez, teria solicitado mais tempo para devolver os corpos das vítimas fatais, conforme divulgado pela imprensa americana.

Além disso, Israel se comprometeu a recuar suas tropas dentro da Faixa de Gaza para uma linha militar previamente acordada. Embora os detalhes sobre a nova localização das forças ainda não estejam claros, Trump enfatizou que esse é o “primeiro passo para uma paz duradoura”.

“Todas as partes serão tratadas com justiça! Este é um GRANDE dia para o mundo árabe e muçulmano, para Israel, para todas as nações vizinhas e para os Estados Unidos da América”, escreveu o presidente norte-americano.

Um acordo histórico com garantias internacionais

O tratado foi negociado com mediação de Catar, Egito e Turquia, que agiram como garantidores do cumprimento das cláusulas estabelecidas. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al-Ansari, a implementação da primeira fase do acordo possibilitará a entrada de ajuda humanitária em Gaza e a redução gradual das hostilidades.

“O acordo abrange todas as disposições e mecanismos necessários para o cessar-fogo. Representa um passo concreto em direção ao fim da guerra e à estabilização da região”, afirmou Al-Ansari.

Netanyahu e Hamas reagem

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, comemorou o acordo e reforçou que a libertação dos reféns representa uma “vitória moral e diplomática” para o país.

“Um grande dia para Israel. Esse é um sucesso diplomático e uma vitória nacional. Agradeço aos nossos soldados e a todas as forças de segurança que tornaram isso possível”, publicou Netanyahu.

Por outro lado, o Hamas agradeceu aos países mediadores e a Donald Trump, destacando que os termos do tratado precisam ser cumpridos integralmente por Israel.

“Reafirmamos que os sacrifícios do nosso povo não serão em vão e que seguiremos lutando pelos nossos direitos nacionais até a liberdade e a autodeterminação”, declarou o grupo em nota oficial.

Histórico de fracassos anteriores

Desde o início do conflito, dois cessar-fogos anteriores foram assinados — um no fim de 2023 e outro no início de 2024 mas ambos fracassaram em poucos dias, devido a desconfianças mútuas e à escalada de tensões em campo.

Com este novo tratado, que conta com maior articulação internacional e apoio direto da Casa Branca, há expectativas mais concretas de que uma trégua duradoura possa finalmente ser alcançada.

Contexto do conflito

A guerra entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro de 2023, quando o grupo terrorista lançou um ataque surpresa que resultou na morte de mais de 1.200 pessoas em Israel e no sequestro de 251 reféns. Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva massiva sobre Gaza, que até hoje matou mais de 60 mil palestinos, segundo números de autoridades locais ligadas ao Hamas.

Ao longo do último ano, a guerra gerou colapsos humanitários, denúncias de violações dos direitos humanos e pressão internacional crescente por uma solução definitiva.

A assinatura do acordo nesta quarta-feira é vista como um possível ponto de inflexão após quase dois anos de devastação e instabilidade no Oriente Médio.