Copa 2026 impulsiona mercado imobiliário da América do Norte e projeta impacto bilionário

Reforma do Estádio Azteca, que receberá o jogo de abertura da Copa; evento atua como eixo de valorização de bairros como Polanco e Roma-Condesa, além de estimular investimentos na modernização do parque hoteleiro e da infraestrutura aeroportuária
DA REDAÇÃO

A realização da Copa do Mundo de 2026, que será sediada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, já começa a provocar efeitos concretos no mercado imobiliário da América do Norte. Avaliações do setor apontam que o torneio deverá movimentar dezenas de bilhões de dólares em investimentos, valorização de ativos urbanos e expansão de projetos ligados a hotelaria, residências de curto prazo e infraestrutura comercial.

Trata-se da maior Copa da história, tanto em número de seleções quanto em escala geográfica. Pela primeira vez, o evento será disputado em três países, com partidas distribuídas em 16 cidades-sede. Esse formato ampliou significativamente o alcance econômico do torneio e transformou o mercado imobiliário em um dos principais beneficiários indiretos do evento.

Nos Estados Unidos, cidades como Nova York, Los Angeles, Miami e Dallas já registram aumento no interesse por imóveis residenciais e comerciais próximos a estádios, zonas turísticas e corredores de transporte. Investidores institucionais e fundos imobiliários vêm antecipando movimentos de aquisição, apostando na combinação de demanda temporária elevada durante o evento e ganhos estruturais no médio e longo prazo.

A hotelaria é um dos segmentos mais impactados. Grandes redes aceleraram projetos de retrofit, expansão e novas bandeiras, especialmente em regiões com déficit histórico de leitos. Paralelamente, o mercado de aluguel de curto prazo, impulsionado por plataformas digitais, ganhou força, elevando os preços de imóveis residenciais em áreas estratégicas e pressionando governos locais a rever regulações.

No Canadá, Toronto e Vancouver concentram os maiores efeitos. Toronto, maior mercado imobiliário do país, já enfrenta desafios relacionados à oferta limitada de moradias. A expectativa da Copa intensificou projetos de uso misto, combinando residências, escritórios e espaços comerciais, com foco em mobilidade urbana e adensamento sustentável.

Vancouver, por sua vez, observa um fortalecimento do segmento de imóveis de alto padrão e investimentos estrangeiros, especialmente da Ásia. A realização de jogos do Mundial reforça a imagem global da cidade como destino turístico e hub internacional, fator que historicamente se reflete em valorização imobiliária.

No México, o impacto se concentra principalmente na Cidade do México, única sede mexicana do torneio. A capital já possui infraestrutura esportiva consolidada, mas o evento acelerou projetos de modernização urbana, requalificação de áreas centrais e investimentos em transporte. O mercado imobiliário local aposta na revitalização de bairros próximos ao Estádio Azteca, com foco em hotéis boutique, residências de médio padrão e empreendimentos comerciais.

Analistas do setor destacam que, embora o pico de demanda esteja concentrado no período da Copa, o legado tende a ser duradouro. Melhorias em mobilidade, conectividade aérea e serviços urbanos costumam elevar a atratividade das cidades-sede por anos após o fim do evento. Esse efeito foi observado em Copas anteriores, mas ganha escala inédita em 2026 devido à dimensão continental do torneio.

Outro vetor relevante é o interesse crescente de investidores internacionais, especialmente fundos soberanos, gestoras globais e family offices. A combinação de estabilidade institucional nos Estados Unidos e no Canadá, aliada ao potencial de crescimento do mercado mexicano, cria um portfólio diversificado dentro de um único evento esportivo.

Especialistas alertam, no entanto, para riscos associados à especulação excessiva. A rápida valorização de imóveis pode ampliar problemas de acessibilidade habitacional, sobretudo em grandes centros urbanos. Por isso, autoridades locais discutem políticas de mitigação, como incentivos à habitação acessível e regras mais rígidas para aluguéis de curta duração.

Mesmo com esses desafios, a avaliação predominante é que a Copa de 2026 funcionará como um catalisador econômico de grande escala para o setor imobiliário norte-americano. Ao unir esporte, turismo, infraestrutura e capital global, o torneio reforça a posição da América do Norte como um dos mercados mais atrativos do mundo para investimentos em real estate nos próximos anos.