Entenda o que aconteceu com o ‘cão Orelha’, morto por adolescentes em SC

Justiça por Orelha: Quais são as consequências legais para os agressores?
DA REDAÇÃO

A morte do cão comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, provocou forte comoção social e reacendeu o debate sobre maus-tratos contra animais no Brasil. O cachorro, que vivia há cerca de dez anos na região e era cuidado informalmente por moradores, morreu após sofrer agressões atribuídas a um grupo de adolescentes no início de janeiro.

De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, as agressões ocorreram no dia 4 de janeiro. O animal foi encontrado ferido no dia seguinte e levado para atendimento veterinário por moradores da comunidade. Exames periciais apontaram que Orelha sofreu um forte impacto na cabeça provocado por um objeto sólido, que não chegou a ser localizado. Em razão da gravidade dos ferimentos e do sofrimento do animal, os veterinários optaram pela eutanásia.

A investigação ganhou força após a comunicação oficial do caso, feita no dia 16 de janeiro. A partir daí, a Delegacia de Proteção Animal (DPA) e a Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) iniciaram uma apuração detalhada. Segundo a delegada responsável, mais de 20 pessoas foram ouvidas e cerca de 72 horas de imagens de 14 câmeras de monitoramento, públicas e privadas, foram analisadas.

Como resultado da investigação, quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de participação nas agressões. Além disso, três familiares dos jovens passaram a ser investigados por suposta coação de testemunhas, o que levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências ligadas aos envolvidos.

O caso não se restringiu apenas ao cão Orelha. Segundo a Polícia Civil, outro cachorro comunitário da região, conhecido como Caramelo, também foi alvo de maus-tratos. Ele teria sido jogado no mar pelo mesmo grupo de adolescentes, mas conseguiu escapar. Posteriormente, o animal foi adotado pelo delegado-geral da corporação.

A Associação de Praia Brava se manifestou publicamente, destacando que Orelha fazia parte do cotidiano do bairro e era um símbolo da convivência comunitária. Em nota, a entidade ressaltou o vínculo afetivo construído ao longo dos anos entre o animal e os moradores, o que contribuiu para a ampla repercussão do caso nas redes sociais e na imprensa.

Em entrevista, o delegado-geral informou que dois dos quatro adolescentes identificados estão atualmente nos Estados Unidos, em viagem previamente programada, e devem retornar ao Brasil nos próximos dias. Por se tratar de menores de idade, a identidade dos suspeitos não foi divulgada, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A responsabilização ocorrerá no âmbito judicial, com aplicação das medidas socioeducativas previstas em lei.

Desde que o episódio ganhou visibilidade nacional, nomes de pessoas sem ligação com o caso passaram a circular nas redes sociais. A Polícia Civil esclareceu que essas associações são falsas e reforçou a importância de evitar a disseminação de informações não verificadas.

O caso do cão Orelha se soma a outros episódios recentes que ampliaram a pressão por punições mais rigorosas e por maior conscientização sobre a proteção animal. Para especialistas e entidades de defesa dos animais, a repercussão do episódio evidencia não apenas a gravidade dos maus-tratos, mas também o papel da sociedade na denúncia e no acompanhamento das investigações.