Conselho da Paz de Trump tem 23 integrantes até agora, seis países recusaram convite

Donald Trump: presidente anunciou novo conselho na quinta-feira, 22 (Roberto Schmidt / Correspondente/Getty Images)
DA REDAÇÃO

O chamado Conselho da Paz, idealizado pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, já conta com 23 integrantes confirmados, mas enfrenta resistências relevantes no cenário internacional. Até o momento, seis países recusaram formalmente o convite para participar da iniciativa, apresentada pela Casa Branca como um novo modelo de mediação de crises globais e reconstrução de regiões afetadas por conflitos armados.

Segundo informações divulgadas por fontes ligadas ao governo americano, a estrutura funciona à margem de organismos multilaterais tradicionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). A proposta de Trump é criar um fórum mais enxuto e flexível, com participação direta de países aliados e parceiros estratégicos, capaz de atuar rapidamente em negociações diplomáticas, cessar-fogos e projetos de reconstrução.

A composição inicial do conselho inclui representantes de nações da América do Norte, Europa Oriental, Oriente Médio e Ásia, além de ex-diplomatas, militares e especialistas em segurança internacional indicados pelos Estados Unidos. A diversidade de perfis foi apresentada como um diferencial da iniciativa, que busca combinar experiência política, poder de dissuasão militar e capacidade econômica para influenciar negociações em zonas de conflito.

Apesar disso, a recusa de seis países evidencia a desconfiança em torno do projeto. De acordo com a reportagem da Exame, as negativas foram motivadas principalmente pela percepção de que o Conselho da Paz pode enfraquecer instituições multilaterais já consolidadas e concentrar excessivo protagonismo na política externa americana. Há também receios de que decisões tomadas no âmbito do conselho não tenham legitimidade internacional ampla.

Integrantes do governo Trump afirmam que a adesão é voluntária e que novas convocações ainda serão feitas. A Casa Branca sustenta que o modelo tradicional de diplomacia multilateral se mostrou lento e ineficiente em crises recentes, o que justificaria a criação de uma instância paralela, focada em resultados práticos e rápidos.

Críticos, por outro lado, avaliam que a iniciativa pode aprofundar divisões geopolíticas. Para analistas internacionais, um conselho liderado pelos EUA, sem respaldo formal da ONU, corre o risco de ser visto como instrumento político de um único país, dificultando a adesão de nações que buscam maior equilíbrio nas relações globais.

O Conselho da Paz surge em um contexto de múltiplas tensões internacionais, incluindo guerras prolongadas, disputas territoriais e crises humanitárias. Trump tem defendido publicamente que sua experiência em negociações e sua abordagem direta seriam capazes de destravar acordos que, segundo ele, permanecem paralisados por entraves burocráticos e interesses divergentes.

Até agora, não há cronograma oficial para a primeira grande atuação do conselho em um conflito específico. Autoridades americanas afirmam que os trabalhos iniciais estão focados na definição de regras internas, linhas de atuação e prioridades regionais. A expectativa do governo é ampliar o número de integrantes nos próximos meses, apesar das recusas já registradas.

A criação do Conselho da Paz de Trump reacende o debate sobre o futuro da diplomacia internacional e o papel dos Estados Unidos na mediação de conflitos. Enquanto apoiadores veem a iniciativa como uma tentativa pragmática de superar impasses históricos, críticos alertam para o risco de fragmentação do sistema global de governança e de enfraquecimento de fóruns multilaterais tradicionais.