
Uma nevasca considerada a mais intensa das últimas décadas provocou mortes, interrupções generalizadas e dificuldades para milhões de pessoas em diversas regiões da Rússia. Segundo o Centro Nacional de Meteorologia do país, o volume de neve registrado em Moscou foi o maior dos últimos 56 anos, superando marcas históricas e colocando as autoridades em estado de alerta máximo.
Com ruas cobertas por metros de gelo e neve compactada, equipes de emergência foram mobilizadas para liberar vias principais, remover veículos soterrados e garantir o funcionamento mínimo dos serviços essenciais. O transporte público operou com restrições, enquanto aeroportos registraram atrasos e cancelamentos de voos ao longo do fim de semana.
O impacto mais grave foi registrado na região do Cáucaso, onde autoridades realizaram uma avalanche controlada em área montanhosa com o objetivo de reduzir o risco de deslizamentos espontâneos. Apesar da ação preventiva, dois homens morreram durante o episódio, segundo informações divulgadas pelos serviços de resgate locais.
A piora das condições climáticas levou governos regionais a adotarem medidas emergenciais. Empresas foram orientadas a implementar o regime de trabalho remoto sempre que possível, enquanto escolas suspenderam aulas em várias cidades, especialmente nas regiões mais afetadas pelo acúmulo de neve e pela queda brusca das temperaturas.
Meteorologistas russos afirmam que o fenômeno está associado a uma massa de ar polar extremamente intensa, combinada com sistemas de umidade vindos do norte da Europa e da Ásia Central. Esse padrão climático criou condições ideais para nevascas persistentes, com ventos fortes, baixa visibilidade e temperaturas muito abaixo da média para o período.
Além das dificuldades de locomoção, a nevasca também afetou o fornecimento de energia em algumas localidades, onde o peso da neve danificou redes elétricas e provocou quedas pontuais no abastecimento. Equipes técnicas seguem trabalhando para restabelecer completamente os serviços, mas alertam que o esforço pode se estender por vários dias, dependendo da evolução do clima.
Especialistas destacam que eventos extremos como este têm se tornado mais frequentes e intensos, levantando debates sobre os efeitos das mudanças climáticas globais mesmo em regiões tradicionalmente acostumadas a invernos rigorosos. Embora a Rússia tenha histórico de nevascas severas, a magnitude e a duração do episódio atual chamaram a atenção de autoridades e da comunidade científica.
Segundo o Centro Nacional de Meteorologia, a previsão indica que o frio intenso e a instabilidade devem persistir nos próximos dias, com possibilidade de novas quedas de neve em áreas já saturadas. Diante disso, a população foi orientada a evitar deslocamentos não essenciais e a seguir as recomendações das autoridades locais.
A nevasca histórica reforça o desafio logístico enfrentado pelo país durante o inverno e evidencia os impactos humanos e econômicos de fenômenos climáticos extremos, que continuam a testar a capacidade de resposta das grandes cidades russas e das regiões mais isoladas do território.
